Alberto Pasqualini (Ivorá, 23 de setembro de 1901 – Rio de Janeiro, 3 de junho de 1960) foi advogado, intelectual e político brasileiro, reconhecido como o principal formulador doutrinário do trabalhismo no Brasil. Atuou como senador da República pelo Rio Grande do Sul e exerceu papel central na elaboração do programa e da identidade ideológica do PTB.
Filho de imigrantes italianos, Pasqualini teve formação inicial marcada pela educação religiosa, chegando a ingressar em seminário católico. Posteriormente, cursou Direito na Faculdade de Direito de Porto Alegre, onde se graduou em 1929. Sua formação intelectual foi profundamente influenciada pelo humanismo cristão, pelo personalismo e pelo positivismo gaúcho, elementos que marcaram sua concepção de política como prática ética e social.
Primeiros anos e Revolução de 1930
Durante a Revolução de 1930, Pasqualini alinhou-se à Aliança Liberal e participou da mobilização armada em Porto Alegre. Após o movimento, iniciou atuação política mais sistemática no Rio Grande do Sul.
Filiado ao Partido Libertador, foi eleito vereador em Porto Alegre em 1934. Seu mandato foi interrompido em 1937 com a instauração do Estado Novo. Em 1944, durante a interventoria de Ernesto Dornelles, assumiu a Secretaria do Interior e Justiça do Rio Grande do Sul, cargo do qual renunciou após conflitos com o governo federal, notadamente em defesa de liberdades civis e da autonomia municipal.
Pasqualini concebeu o trabalhismo como doutrina política autônoma, distinta tanto do liberalismo quanto do socialismo autoritário. Defendia a intervenção do Estado na economia como meio de assegurar justiça social, preservando, contudo, a dignidade da pessoa humana e o pluralismo político.
A atuação política e intelectual de Pasqualini foi amplamente acompanhada pela imprensa da época. Jornais como o Correio do Povo e o Diário de Notícias destacaram reiteradamente seu perfil ético e sua postura independente, inclusive durante sua renúncia à Secretaria do Interior e Justiça em 1944 e nos debates sobre o monopólio do petróleo na década de 1950.
Influenciado pelo personalismo cristão, Pasqualini sustentava que a política deveria estar subordinada a princípios éticos e à centralidade da pessoa humana, rejeitando concepções meramente instrumentalistas do poder.
Após o fim do Estado Novo, Pasqualini participou da fundação do PTB, sendo um de seus principais ideólogos. Elaborou diretrizes programáticas e organizou o departamento de estudos do partido, influenciando gerações de lideranças trabalhistas, como João Goulart e Leonel Brizola.
Eleito senador em 1950, Pasqualini teve atuação destacada nos debates sobre a criação da Petrobras. Como relator do projeto no Senado, defendeu o monopólio estatal do petróleo, posicionamento alinhado ao nacionalismo econômico trabalhista.
Pensamento político na historiografia
A historiografia reconhece Pasqualini como principal formulador teórico do trabalhismo brasileiro. Autores como Angela de Castro Gomes, Jorge Ferreira e Miguel Bodea destacam seu papel na construção doutrinária do PTB, enquanto Marcelo Badaró Mattos ressalta os limites e contradições do projeto trabalhista.
Diretrizes fundamentais do trabalhismo brasileiro
Discursos parlamentares (1946–1956)
Em 1956, Pasqualini sofreu um acidente vascular cerebral que o afastou definitivamente da vida pública. Faleceu em 1960, no Rio de Janeiro.
A Refinaria Alberto Pasqualini, inaugurada em 1968 no Rio Grande do Sul, recebeu seu nome em homenagem à sua atuação em defesa do monopólio estatal do petróleo.
Alberto Pasqualini Trajetória Política e Pensamento Trabalhista