Quando aprende a ler e escrever, uma pessoa passa a reconhecer palavras, compreender textos, registrar suas ideias e usar informações escritas para aprender ou resolver problemas. Ao longo do século XX, o sentido de alfabetização se ampliou para abranger o uso da escrita em diferentes situações.
De antigas inscrições a livros, escolas e telas, a escrita passou a fazer parte de mais atividades e da vida de mais pessoas. Esse percurso não foi igual em toda parte. Em 2024, cerca de 88% dos adultos do mundo eram alfabetizados, mas as oportunidades de aprender ainda variavam entre países e entre homens e mulheres.
Aprender as letras é apenas o começo de um percurso no qual ler uma palavra, compreender uma notícia e escrever uma mensagem pedem habilidades diferentes. O acesso à escola, aos livros e ao tempo para praticar pode mudar esse percurso, que não termina na infância.
Quando se fala em alfabetização funcional, a pergunta é o que alguém consegue fazer com a leitura e a escrita em situações concretas. Os multiletramentos ampliam a conversa para textos que combinam palavras, imagens e sons. Há ainda expressões como alfabetização digital, educação midiática e alfabetização em saúde, que aplicam a ideia de compreender e usar informação a campos específicos.
No Brasil, alfabetização costuma nomear a aprendizagem do sistema de escrita alfabética, enquanto o letramento diz respeito ao uso da leitura e da escrita para estudar, trocar mensagens ou participar de atividades com outras pessoas. Os dois processos se desenvolvem juntos. Quem reconhece palavras pode ainda ter dificuldade para compreender certos textos.
A palavra inglesa literacy pode reunir sentidos que o português distribui entre alfabetização e letramento. Saber ler e escrever uma frase simples e conseguir compreender textos mais exigentes são critérios diferentes. Para interpretar um resultado, é preciso saber quais habilidades foram examinadas.
Quem consegue reconhecer as letras de um formulário ainda pode precisar de ajuda para preenchê-lo. A alfabetização funcional se refere à capacidade de usar leitura, escrita e cálculo nas atividades do grupo ou da comunidade de que a pessoa participa. Esse uso não se limita aos adultos, embora existam avaliações feitas especialmente para eles.
A expressão analfabetismo funcional é usada quando uma pessoa encontra dificuldades para realizar tarefas que exigem essas habilidades. O limite depende da tarefa e da avaliação escolhida, de modo que resultados produzidos com critérios diferentes não equivalem à mesma medida.
Não saber ler ou escrever uma frase simples sobre a própria vida caracteriza o analfabetismo primário. Dificuldades de aprendizagem, como a dislexia, são outra questão. Já o analfabetismo funcional se refere ao uso da escrita em certas tarefas. Essas distinções são discutidas porque uma prova escolar pode deixar de fora formas de leitura e escrita que a pessoa usa em outros ambientes.
Ao ler um texto que reúne palavras, imagens, sons e recursos digitais, usamos formas de comunicação estudadas sob o nome de multiletramentos. Trabalhar com elas não dispensa a aprendizagem das relações entre letras e sons, necessária para ler palavras com autonomia.
Outros usos da palavra "alfabetização"
Em áreas como saúde e ciência, alfabetização e literacia também nomeiam conhecimentos usados para compreender informações e tomar decisões. Esses usos da palavra não substituem seu sentido de aprender a ler e escrever:
Literacia digital envolve usar tecnologias e avaliar informações encontradas nos meios digitais.
Literacia científica envolve compreender questões da ciência e pensar sobre as evidências usadas para respondê-las.
Literacia estatística ajuda a ler e avaliar números apresentados como dados, gráficos e estatísticas.
Literacia financeira reúne conhecimentos e hábitos usados para decidir sobre dinheiro.
Literacia midiática e informacional envolve examinar mensagens, produzir conteúdos e verificar de onde vêm as informações.
Literacia em saúde envolve encontrar e compreender informações sobre cuidados e serviços de saúde.