Araucária (nome científico: Araucaria angustifolia) é a espécie arbórea dominante da floresta ombrófila mista, ocorrendo majoritariamente na região Sul e Sudeste do Brasil, principalmente no sul do estado de São Paulo até as serras do Rio Grande do Sul e na Serra da Mantiqueira, mas é presente também ao longo do restante do Planalto Atlântico Paulista, até o sul do estado de Minas Gerais, na Serra da Bocaina, na Cuesta de Botucatu e na Região Serrana do estado do Rio de Janeiro, além de pequenos trechos no Paraguai e na província argentina de Misiones. Árvore de grande valor cultural, é conhecida por muitos nomes populares, entre eles estão pinheiro-do-paraná, pinheiro-de-são-paulo, pinheiro-brasileiro, pinheiro-das-missões, pinha-do-paraná ou simplesmente pinheiro, apesar de não ser um verdadeiro pinheiro (gênero Pinus) e tampouco pertencer à família dos pinheiros (Pinaceae). É também conhecida por nomes de origem indígena, curi ou curiúva, em tupi e guarani, e fág, na língua caingangue. Internacionalmente é chamado ainda paraná pine, brazilian pine ou candelabra tree. As suas sementes, ditas pinhão, foram historicamente consumidas por povos indígenas, e são hoje parte tradicional da culinária caipira e da região Sul.
Conífera dioica, perenifólia e heliófita, pode atingir alturas de 50 m, com um diâmetro de tronco à altura do peito de 2,5 m. A sua forma é única na paisagem brasileira, assumindo um formato caliciforme em umbela, assemelhando-se a um candelabro. Chegou a ocupar uma área original de aproximadamente 200 mil km², que, a partir do século XIX, foi intensamente explorada pelo seu alto valor econômico, haja visto a boa qualidade de sua madeira e as suas sementes nutritivas e populares para consumo humano. Hoje, o seu território está reduzido a uma pequena fração do que outrora fora, o que, segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN), coloca a araucária em Perigo Crítico de Extinção.
A origem de seu gênero remonta a mais de 200 milhões de anos, do período Triássico, quando os continentes americano e africano eram ainda unidos. Foi disseminada por uma grande área da América do Sul, desde a Argentina até o Nordeste brasileiro, embora hoje efetivamente inexista em latitudes menores.
A araucária, apesar de popular, não é conhecida completamente pela ciência. Diversos estudos vêm sendo feitos recentemente para melhor compreender a ecologia e biologia desta árvore; também são necessários para orientar as urgentes medidas de proteção que ainda precisam ser tomadas para assegurar a sobrevivência desta espécie sensível e altamente especializada em um ambiente que rapidamente vai sendo invadido e destruído pelo homem, mas ainda persistem muitas incertezas e contradições em vários aspectos. Esse conhecimento imperfeito da matéria, que confunde até a conceituação e aplicação das leis ambientais que deviam protegê-la e ainda não conseguem fazê-lo — veja-se o recuo continuado das áreas onde sobrevive — mais as variadas exigências que a planta impõe no cultivo planejado para que possa render bem, desanimam muitos reflorestadores, que preferem espécies mais bem conhecidas, de crescimento mais rápido e que não demandem tantos cuidados. Entretanto, os estudiosos são unânimes em declarar a necessidade de sua salvação, tanto por sua importância econômica e ecológica como paisagística e cultural. Tornou-se, não por acaso, símbolo do estado do Paraná, deu nome a Curitiba, ao tradicional bairro paulistano de Pinheiros e ao rio paulista homônimo, além de aparecer nos brasões e bandeiras das cidades de Apiaí (SP), Araucária (PR), Caçador (SC), Campos do Jordão (SP), Canoinhas (SC), Espírito Santo do Pinhal (SP), Fazenda Rio Grande (PR), Itapecerica da Serra (SP), Pinhalzinho (SC), Pinhalzinho (SP), Ponta Grossa (PR), Santo Antônio do Pinhal (SP), São Carlos (SP), São José dos Pinhais (PR), Sarutaiá (SP) e Taboão da Serra (SP).
O gênero Araucaria fazia parte da flora terrestre já no período Triássico (250-200 milhões de anos atrás); hoje é restrito ao Hemisfério Sul e compreende 20 espécies. A espécie Araucaria angustifolia se originou no início do período Jurássico, há 200 milhões de anos, e sua ocorrência primitiva diverge bastante da atual, sendo encontrados fósseis no Nordeste brasileiro. Sua expansão para o sul é recente, ocorrendo durante o Pleistoceno tardio e Holoceno inicial, possivelmente resultado de uma mudança climática e de migrações de floras refugiadas nos vales das serras através dos cursos dos rios.
Foi descrita inicialmente como Columbea angustifolia por A. Bertoloni em 1819; Araucaria brasiliana por A. Richard, em 1822. Hoje sua denominação oficial é Araucaria angustifolia (Bertol.) O. Kuntze 1898, e sua descrição foi publicada na sua Revisio Generum Plantarum. Seu nome genérico deriva de Arauco, uma região do Chile, e seu nome específico é uma palavra latina significando "folha estreita". Pertence à ordem Coniferae, classe Coniferopsida, família Araucariaceae. A espécie Araucaria angustifolia se ramifica em 9 subespécies: elegans, sancti josephi, angustifolia, caiova, indehiscens, nigra, striata, semi-alba e alba.
É uma conífera terrestre de solo seco, perenifólia, heliófita, usualmente dioica. Sua forma é inconfundível, com um tronco colunar que pode chegar a 50 m de altura e 2,5 m de diâmetro, sustentando uma copa de simetria radial em candelabro ou umbela. Quando jovens, as árvores têm uma copa em cone. De regra, porém, não atinge dimensões tão imponentes, com altura variando de 10 a 35 m e diâmetro do tronco entre 50 e 120 cm, quando adulta.
Sua morfologia apresenta variações de acordo com as condições de solo, competição e disponibilidade de luz. O tronco é ortotrópico, monopodial e com crescimento rítmico indefinido. O padrão de ramificação é também rítmico e os galhos apresentam um desenvolvimento siléptico. No adulto os galhos são arranjados em pseudoverticilos no tronco, sendo predominantemente plagiotrópicos com uma tendência ortotrópica dos ápices. Os ramos são arranjados nos galhos em pares, mais ou menos no mesmo plano. Suas folhas, as acículas, são verde-escuras, simples, alternas, espiraladas, lineares a lanceoladas, coriáceas, com ponta terminando em um espinho muito pungente, podendo chegar a 6 cm de comprimento por 1 cm de largura.
A casca externa tem até 15 cm de espessura, cor marrom-arroxeada, é persistente, áspera, rugosa, desprendendo se em lâmina na parte superior do fuste; a casca interna é resinosa, esbranquiçada, cor rosada. Seu sistema radicular depende do tipo do solo. Quando em latossolos a planta produz uma raiz axial (ou pivotante) de cerca de 1,8 m de profundidade, mas cresce como sistema fasciculado em litossolos ou solos muito úmidos, com crescimento lateral mais pronunciado.
As flores femininas são estróbilos, conhecidas popularmente como pinhas, e as masculinas são amentos ou cones cilíndricos com escamas coriáceas que protegem os sacos de pólen, com comprimento variando de 10 a 22 cm e diâmetro entre 2 e 5 cm. As araucárias não têm frutos verdadeiros, ou seja, suas sementes não são envolvidas por uma polpa. Os pseudofrutos ficam agrupados nas pinhas que, maduras, assumem uma forma esférica, com um diâmetro de cerca de 15 a 30 cm, e chegam a pesar 5 kg. As sementes, os pinhões, se originam em brácteas do amentilho feminino, desenvolvendo-se a partir de óvulos nus; são de cor marrom, cônicas, aladas, com cerca de 5 cm de comprimento, peso médio de 8,7 g, ápice em espinho achatado e curvo; seu tegumento coriáceo esconde um endosperma nutritivo, ou amêndoa, rico em amido e aminoácidos, que envolve os cotilédones.
Os ramos secos da araucária possuem um alto valor energético, podendo ser indicados para produção de compactados de biomassa, conhecidos como Pellets.
A araucária ocorre como a espécie arbórea dominante da floresta ombrófila mista da América do Sul, entre as latitudes de 18º e 30º sul. Desenvolve-se, de acordo com Angeli (embora outros autores ofereçam dados ligeiramente diferentes), em altitudes de 800 a 1 800 m no norte de sua distribuição, e entre 500 e 1 200 m na parte sul, em regiões de precipitação anual uniforme entre 1 250 e 2 200 mm, e de temperaturas médias anuais de 10 a 18 °C (mas tolera bem temperaturas de até -5° C). Prefere solos profundos, férteis e bem drenados. Também é encontrada em bosques isolados em áreas de campo. A maior parte de sua área de ocorrência está dentro do Brasil, das serras do Rio Grande do Sul ao sul de São Paulo, abundando sobretudo no Paraná, embora haja ainda ocorrência significativa na faixa altiplana e serrana paulista até Minas Gerais e em pequenos trechos na Argentina e Paraguai. Registram-se ocorrências até as proximidades do Rio Doce em Minas Gerais e no Rio de Janeiro, em áreas de altitude elevada. Augusto Ruschi relatou a presença da espécie no ano de 1939 em um bosque relicto na Serra do Caparaó no Espírito Santo, acima de 1700 m de altitude, com cerca de 300 indivíduos adultos. É cultivada no Nordeste brasileiro, em regiões de altitude e microclima compatível, como na Chapada Diamantina e nas serras de Baturité (CE). Foi introduzida artificialmente também, entre outros lugares, no sul da Bahia, na África do Sul, na Austrália, no Quênia, em Madagascar, Portugal e no Zimbábue, com comportamento variável.