Isidore Auguste Marie François Xavier Comte (19 de janeiro de 1798 – 5 de setembro de 1857) foi um filósofo e escritor francês que formulou a doutrina do positivismo. Ele é frequentemente considerado o primeiro filósofo da ciência no sentido moderno do termo. As ideias de Comte foram fundamentais para o desenvolvimento da sociologia, pois ele cunhou o termo e tratou a disciplina como a maior conquista das ciências.
Influenciado por Henri de Saint-Simon, o trabalho de Comte tentou remediar a desordem social causada pela Revolução Francesa, a qual ele acreditava indicar uma transição iminente para uma nova forma de sociedade. Ele buscou estabelecer uma nova doutrina social baseada na ciência, que ele rotulou de positivismo. Ele teve um grande impacto no pensamento do século XIX, influenciando o trabalho de pensadores sociais como John Stuart Mill e George Eliot. Seu conceito de Sociologia e evolucionismo social deram o tom para os primeiros teóricos sociais e antropólogos como Harriet Martineau e Herbert Spencer, evoluindo para a sociologia acadêmica moderna apresentada por Émile Durkheim como uma pesquisa social prática e objetiva.
As teorias sociais de Comte culminaram em sua "Religião da Humanidade", que prenunciou o desenvolvimento de organizações não teístas de humanismo religioso e humanismo secular no século XIX. Ele também pode ter cunhado a palavra altruísmo. As ideias de Comte influenciaram as palavras Ordem e Progresso, lema presente na bandeira da República Federativa do Brasil.
Auguste Comte nasceu em Montpellier, Hérault, em 19 de janeiro de 1798, na época sob o domínio da recém-fundada Primeira República Francesa. Após frequentar o Lycée Joffre e depois a Universidade de Montpellier, Comte foi admitido na École Polytechnique em Paris. A École Polytechnique era notável por sua adesão aos ideais franceses de republicanismo e progresso. A École fechou em 1816 para reorganização, e Comte continuou seus estudos na faculdade de medicina em Montpellier. Quando a École Polytechnique reabriu, ele não pediu readmissão.
Após seu retorno a Montpellier, Comte logo percebeu diferenças irreconciliáveis com sua família católica e monarquista e partiu novamente para Paris, ganhando dinheiro com pequenos trabalhos. Comte havia abandonado o catolicismo sob a influência de seu primeiro professor e pastor protestante Daniel Encontre.
Em agosto de 1817 ele encontrou um apartamento na Rue Bonaparte, 36, no 6º arrondissement de Paris (onde viveu até 1822). No final daquele ano, ele se tornou estudante e secretário de Henri de Saint-Simon, que colocou Comte em contato com a sociedade intelectual e influenciou grandemente seu pensamento a partir de então. Durante esse tempo, Comte publicou seus primeiros ensaios nas várias publicações dirigidas por Saint-Simon, L'Industrie, Le Politique, e L'Organisateur (Le Censeur Européen de Charles Dunoyer e Charles Comte), embora não publicasse sob seu próprio nome até 1819 com "La séparation générale entre les opinions et les désirs" "A separação geral entre as opiniões e os desejos".
Em 1824, Comte deixou Saint-Simon, novamente por causa de diferenças irreconciliáveis. Comte publicou um Plan de travaux scientifiques nécessaires pour réorganiser la société "Plano de trabalhos científicos necessários para reorganizar a sociedade" (1822). Mas ele não conseguiu um cargo acadêmico. Seu dia a dia dependia de patrocinadores e ajuda financeira de amigos. Há intensos debates sobre o quanto Comte se apropriou do trabalho de Saint-Simon.
Comte casou-se com Caroline Massin em 1825. Em 1826, ele foi levado para um hospital psiquiátrico, mas saiu sem estar curado – apenas estabilizado pelo alienista francês Jean-Étienne Dominique Esquirol – para que pudesse trabalhar novamente em seu plano (ele tentaria suicídio mais tarde em 1827 pulando da Pont des Arts). No tempo entre isso e seu divórcio em 1842, ele publicou os seis volumes de seu Cours "Curso".
Comte desenvolveu uma amizade próxima com John Stuart Mill. Em 1844, ele se apaixonou profundamente pela católica Clotilde de Vaux, embora, por ela não ser divorciada de seu primeiro marido, o amor deles nunca tenha sido consumado. Após a morte dela em 1846, esse amor se tornou quase religioso, e Comte, trabalhando de perto com Mill (que estava refinando seu próprio sistema desse tipo), desenvolveu uma nova "Religião da Humanidade". John Kells Ingram, um adepto de Comte, visitou-o em Paris em 1855.
Ele publicou quatro volumes do Système de politique positive "Sistema de Política Positiva" (1851–1854). Sua obra final, o primeiro volume de La Synthèse Subjective "A Síntese Subjetiva", foi publicada em 1856. Comte morreu em Paris em 5 de setembro de 1857 de câncer de estômago e foi enterrado no famoso Cemitério Père Lachaise, cercado por cenotáfios em memória de sua mãe, Rosalie Boyer, e de Clotilde de Vaux. Seu apartamento de 1841 a 1857 é hoje conservado como a Maison d'Auguste Comte e está localizado na rue Monsieur-le-Prince, 10, no 6º arrondissement de Paris.
Comte descreveu pela primeira vez a perspectiva epistemológica do positivismo em The Course in Positive Philosophy "O Curso de Filosofia Positiva", uma série de textos publicados entre 1830 e 1842. Estes textos foram seguidos pela obra de 1848, A General View of Positivism "Uma Visão Geral do Positivismo" (publicado em inglês em 1865). Os primeiros 3 volumes do Curso lidavam principalmente com as ciências físicas já existentes (matemática, astronomia, física, química, biologia), enquanto os dois últimos enfatizavam a inevitável chegada da ciência social. Observando a dependência circular da teoria e da observação na ciência, e classificando as ciências desta forma, Comte pode ser considerado o primeiro filósofo da ciência no sentido moderno do termo. Comte também foi o primeiro a distinguir a filosofia natural da ciência de forma explícita. Para ele, as ciências físicas tinham que chegar primeiro, antes que a humanidade pudesse canalizar adequadamente seus esforços para a "ciência Rainha" mais desafiadora e complexa da própria sociedade humana. Sua obra Visão do Positivismo iria, portanto, se propor a definir, em mais detalhes, os objetivos empíricos do método sociológico. [carece de fontes]?
Comte ofereceu um relato da evolução social, propondo que a sociedade passa por três fases em sua busca pela verdade de acordo com uma lei geral dos três estados.
Os estados de Comte eram (1) o estado teológico, (2) o estado metafísico e (3) o estado positivo.
O estado Teológico era visto da perspectiva da França do século XIX como anterior ao Iluminismo, no qual o lugar do homem na sociedade e as restrições da sociedade sobre o homem eram referenciados a Deus. O homem acreditava cegamente em tudo que lhe era ensinado por seus ancestrais. Ele acreditava no poder sobrenatural. O Fetichismo teve um papel significativo durante essa época.
Com o estado "Metafísico", Comte não se referia à Metafísica de Aristóteles ou outros filósofos gregos antigos. Em vez disso, a ideia estava enraizada nos problemas da sociedade francesa subsequentes à Revolução Francesa de 1789. Esse estado Metafísico envolvia a justificativa de direitos universais como estando em um plano superior alardeado do que a autoridade de qualquer governante humano para revogar, embora tais direitos não fossem referenciados ao sagrado além da mera metáfora. Esse estado é conhecido como o estado da investigação, porque as pessoas começaram a raciocinar e questionar, embora nenhuma evidência sólida tenha sido estabelecida. O estado da investigação foi o começo de um mundo que questionava a autoridade e a religião.
No estado Científico, que surgiu após o fracasso da revolução e de Napoleão, as pessoas puderam encontrar soluções para problemas sociais e colocá-las em vigor apesar das proclamações de direitos humanos ou profecia da vontade de Deus. A ciência começou a responder a perguntas a todo vapor. Nesse aspecto, ele era semelhante a Karl Marx e Jeremy Bentham. Para a sua época, essa ideia de um estado Científico era considerada atualizada, embora, de um ponto de vista posterior, seja muito derivada da física clássica e da história acadêmica.