Neste Dia

Canisso

Baixista brasileiro

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José Henrique Campos Pereira (São Paulo, 9 de dezembro de 1965 – Santana de Parnaíba, 13 de março de 2023), mais conhecido como Canisso, foi um baixista brasileiro, notório por integrar a formação original dos Raimundos.

Ao longo de sua carreira integrou também as bandas Rodox, Os~ e Rockfellas.

Nascido em São Paulo, filho de advogados, aos nove meses foi com a família para o Rio de Janeiro, onde residiram por três anos. Depois desse período, mudaram-se para Brasília, onde Canisso ficou até a adolescência, voltando para São Paulo novamente. Anos depois retornou a Brasília, onde passou maior parte de sua vida. Um dos seus primeiros contatos com a música foi quando sua irmã comprou um violão e Canisso virou todas as cordas, deixando sua irmã muito braba, e o proibiu de pegar o violão dela. Canisso, a partir dai, só pegava o violão dela escondido, geralmente quando ela não estava em casa, ele tinha que ir debaixo da cama dela, pegar a caixa e botar tudo direitinho depois para que ela não desconfiasse. Desde pequeno era interessado por música. Aos 17 anos recebeu o apelido Canisso em razão de sua constituição física alta e magra, com cerca de 1,78 m de altura e aproximadamente 56 quilos, levando a uma comparação com o caniço, uma planta semelhante à cana-de-açúcar.

Canisso tinha uma fita dos Beatles e ficava sempre tentando tocar as músicas deles, e uma das primeiras canções que aprendeu no violão foi "Day Tripper". Canisso estudava com o irmão de Digão, e foi um dia na casa de Digão à procura do irmão dele, que estava ausente, e conversando com Digão descobriram ter gostos parecidos. Canisso se tornaria amigo de Digão e o vizinho Rodolfo Abrantes, a quem começaria a transportar de carro. Mais para a frente começaram a aparecer as bandas punk, inclusive, perto de sua casa, Digão tinha em casa uma sala de ensaio, pois já tinha banda e tocava bateria, sua banda ensaiava só nos fins de semana, e no restante da semana eles deixavam seus instrumentos montados, para não ter que ficar levando e trazendo de volta. Os três moravam perto e a casa de Digão sempre foi o ponto de encontro da galera durante a semana. Um dia, só por farra, resolveram tocar no set da banda e, junto com ele e Rodolfo, começaram a tocar Ramones, unanimidade entre eles, em pouco tempo tiraram várias músicas e a partir dai já se tinha a semente do que seria depois o Raimundos. Canisso conheceu Digão meio sem querer, Como Rodolfo tocava guitarra, pediram para Canisso se tornar baixista do novo grupo. O primeiro contrabaixo de Canisso, um Yamaha bb 300, do Ricardo Mahara, que anos depois formaria o Maskavo Roots foi comprado após um acidente com seu Fusca que forçou-o a vender os restos para um ferro velho. O incidente, que anos mais tarde inspiraria a canção "Eu Quero Ver o Oco", teve Canisso tentando levar Rodolfo e um amigo para o cinema, quando, ao fazer uma curva, Canisso perdeu o controle do carro e capotou barranco abaixo. De acordo com Digão, apesar do acidente, Canisso ainda compareceu à sessão de cinema.

A banda ensaiou sem grandes pretensões até próximo do Réveillon de 1988, quando surgiu a oportunidade de fazerem um show na casa do avô do Gabriel do Little Quail, nesse show estariam presentes várias pessoas de outras turminhas que tinham bandas também, uma dessas pessoas era o Bianco, vocalista do Kratz, sua galera curtiu o show do Raimundos e na sequência os convidaram para tocar com eles na semana seguinte, no Bom Demais. Esse barzinho da Asa Norte era um dos únicos locais que abrigavam os músicos da cidade, dispunha de um pequeno palco e um sistema de som, a grande maioria era formada por cantores de MPB, mas algumas noites abriam para bandas de rock. Durante o show conheceu Adriana Toscano de Vilhena, remadora com índice olímpico que num intervalo no seu treinamento dava uma ajuda como "roadie" do Kratz, tendo uma paixão à primeira vista, há quem garanta que a banda Raimundos só continuou depois do primeiro show para que com ela impressionassem a gata e a conquistassem para Canisso.

1987-2001: Notoriedade junto ao Raimundos

Rodolfo decidiu chamar Canisso para tocar com eles, pois Canisso tinha um visual mais arrojado, e com a entrada deste, a banda foi levada um pouco mais a sério. A primeira apresentação da banda foi realizada na casa de Gabriel (cantor do Autoramas) durante a virada de ano de 1989, sendo que um dos presentes era Fred, que tornar-se aí então baterista. "O pai do Rodolfo usava um disco do Zenilton para abanar o churrasco", lembra Canisso. Rodolfo é padrinho de Mike, filho de Canisso. A banda depois do começo em 1987, acabou, e cada um foi pro seu canto. Canisso iniciou estudo de Direito na UnB e teve filhos. Digão deixou de tocar bateria por problemas auditivos e começou a tocar guitarra. Rodolfo por sua vez passou a cantar na banda Royal Street Flesh, a banda agora estava com todo mundo em seu lugar. O retorno se deu em 1992 com uma oportunidade em tocar em um bar de Goiânia. Como Digão havia passado para a guitarra a banda começou a procura por um baterista, chegando até a utilizar uma bateria eletrônica. Não obtendo bons resultados, recrutam Fred. No ano seguinte a banda gravou uma fita demonstrativa contendo Nega Jurema, Marujo, Palhas do Coqueiro e Sanidade, iniciando então divulgação pelo país. A banda passou a ser reconhecida pela mídia e por outras bandas, que começaram a convidá-los a tocar no Rio de Janeiro. Chegaram a abrir apresentações de Camisa de Vênus e Ratos de Porão no Circo Voador, além de uma temporada para o Titãs. Em 1994, lançam seu primeiro disco, intitulado apenas como Raimundos, pelo selo Banguela dos Titãs.

A balada pornô-erótica "Selim" impulsionou as vendas do disco e tornou a banda conhecida no país inteiro. Em 1995, voltam ao estúdio para gravar Lavô Tá Novo, que sai pela gravadora Warner. O disco vende bem mais que o primeiro. E isso, somado com a participação da banda nos festivais Monsters of Rock e Hollywood Rock onde tocaram ao lado de grupos clássicos como Motorhead e Iron Maiden, consolidaram o nome Raimundos. Em 1996, com a morte dos Mamonas Assassinas, grande parte dos fãs da banda começam a acompanhar os Raimundos, o que aumenta o sucesso da banda entre as crianças. A banda chega até a se apresentar no Xuxa Park. Nesse mesmo ano lançam uma caixa com CD, história em quadrinhos e fita VHS chamada Cesta Básica. Em 1997 vão até Los Angeles para gravar Lapadas do Povo. O disco deixa de lado letras e melodias engraçadas, investe no peso e em letras mais sérias. Apesar das boas críticas, o disco acaba vendendo menos que os anteriores. Para piorar, em um show na cidade de Santos, litoral de São Paulo, um dos alambrados onde o público saía caiu, provocando a morte de oito pessoas e 67 feridos. A banda se abala com o ocorrido e cancela diversas apresentações. Em 1999 a banda volta ao sucesso com Só no Forévis, o disco mais vendido da banda. O disco emplacou vários hits nas rádios e na MTV. Uma destas, "Me Lambe", era a única que Canisso realmente reprovava do repertório dos Raimundos, em razão de um verso que sugere conotação sexual envolvendo uma garota de 17 anos. Canisso não participou do processo criativo da canção nem da gravação do baixo, executado por Bi Ribeiro, integrante de Os Paralamas do Sucesso, e declarou que nunca apreciou a música, por considerá-la excessivamente pop. Para coroar a ótima fase, em 2000 a banda lança, no auge de seu sucesso, junto com a MTV, o MTV Ao Vivo, que foi dividido em duas partes.Em junho de 2001 após uma longa conversa entre os integrantes, o Raimundos anuncia seu fim. O principal motivo era a insatisfação de Rodolfo, motivada pelas constantes brigas entre os membros do Raimundos e sua conversão ao protestantismo. Dois meses depois, Fred, Canisso e Digão resolvem retornar com a banda. Lançaram o disco Éramos 4, que conta com canções de um concerto da banda com o ex-baterista do Ramones.

Durante a gravação do especial Balada MTV, em 1999, Canisso afirmou que o álbum de que mais havia gostado de participar até então era Raimundos (1994), o primeiro disco da banda."Todo CD na hora que você está fazendo, você gosta mais dele. Então, a resposta de praxe é falar que a gente gosta mais desse agora, porque é o que a gente tá trabalhando, as músicas são novas, tem todo um tesão novo de tocar e as pessoas cantarem as músicas, tudo muito legal.

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