Neste Dia

Digão (músico)

Músico brasileiro

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Digão, nome artístico de Rodrigo Aguiar Madeira Campos (Sobradinho, 20 de novembro de 1970), é um músico brasileiro. É guitarrista e vocalista da banda Raimundos.

Formou o grupo, em 1987, ao lado de Rodolfo Abrantes, inicialmente tocando bateria. Porém abandona o instrumento devido a problemas auditivos. Anos depois, começa a tocar guitarra. Tem as bandas Ramones, Dead Kennedys e Suicidal Tendencies como algumas das que mais gosta. Com a saída de Abrantes em 2001, assume o vocal principal. Paralelamente aos Raimundos fez, junto a Dênis Marques, o projeto musical Dr. Madeira. Hoje faz com Denis Porto a dupla Denis & Digão.

Filho de imigrantes do Piauí para Brasília, um médico e uma advogada, é o mais novo de cinco irmãos. É o único obeso, traço similar a um dos irmãos de seu pai, ironicamente chamado Raimundo. Se interessou por música desde cedo, mas seu pai não apoiava e Digão demorou a ganhar seu primeiro instrumento, uma bateria. Antes disso, ao ouvir o vizinho Rodolfo Abrantes tocando bateria resolveu visitá-lo, e logo se tornaram amigos e parceiros musicais. Eventualmente atraiu a atenção do grupo Filhos de Mengele, que o contratou foi sua primeira experiência numa banda de verdade, fugia de casa para ensaiar às quintas à noite, pois tinha 15 anos e estudava de manhã. O músico era um dos mais jovens no meio de artistas mais velhos, e já se apresentava em shows. Naquela época havia muitos eventos da fundação cultural do Distrito Federal, e com isso havia mais espaço para bandas com músicas próprias.

O Raimundos começou quando Digão e Rodolfo tocavam nos equipamentos que os Filhos de Mengele deixavam na casa de Digão após ensaios. e Rodolfo guitarra. Logo se reuniram para jogar conversa fora e tocar as músicas de seu grupo favorito, os Ramones. Digão já levava um som bem "hardcore", influenciado principalmente por Dead Kennedys. Mas faltava o baixo. A sugestão de Rodolfo foi chamar o amigo mais velho Canisso, que estudava com um dos irmãos de Digão, e que Rodolfo acreditava que daria um visual "arrojado" para a banda. Combinando covers de Ramones e Zenilton, bem como composições de inspiração nordestina do cantor dos Filhos de Mengele, Telo, no reveillon de 1988, na casa do amigo Gabriel Thomaz, da banda Little Quail and The Mad Birds, que aconteceu o considerado primeiro show do Raimundos. A banda continuou dessa forma durante dois anos, até sua separação.

Em 1990 a banda se separa, devido a diversos problemas internos. Reclamando de um zumbido, Digão foi a um otorrino e recebeu um diagnóstico de tinido, recomendando largar a bateria sob risco de perder a audição. Largou a música por quase três anos, que considerou os piores de sua vida por não poder fazer o que mais gostava. Passou um ano trabalhando com seus irmãos antes de decidir aprender violão e guitarra. Em 1992 surgiu uma oportunidade de tocar em um bar em Goiânia e a decisão foi unânime: o Raimundos seria ressuscitado. Porém, como a banda não tinha mais baterista (Digão agora era guitarrista, deixando Rodolfo livre para no vocal), a saída foi apelar para uma bateria eletrônica. Ainda em 1992, Fred, foi recrutado para a bateria, dando um direcionamento mais sério para o trabalho da banda. No ano seguinte já gravaram uma fita demo, e foi com essa fita demo em que os Raimundos conseguiram um contrato para gravar o seu primeiro disco, pelo selo Banguela do Carlos Eduardo Miranda. O nome do primeiro álbum trazia apenas o nome da banda, Raimundos, lançado em 12 de maio de 1994. Com o lançamento do álbum, a banda volta para São Paulo, para divulgar o disco. É nessa época que o grupo é apresentado aos seus maiores ídolos, os Ramones. Estavam de passagem pelo Brasil, e participaram de um coquetel, onde também estava sendo lançado o álbum dos Raimundos. Digão conta:

O encontro com os Ramones também marcou a última vez que Digão esteve com seu irmão favorito, João, que chegou a trabalhar como modelo. Às vésperas de um show em Itajaí, uma prima de Digão revelou ao resto da banda que João sofreu um grave acidente de moto, mas era para contar ao guitarrista só depois da apresentação, sabendo que Digão ia se abalar. Na manhã seguinte o pai de Digão ligou para avisar que João estava com morte cerebral, e Digão voou para Brasília, onde João já tinha morrido, e ele ficou para o funeral.

Com forte exposição na mídia, depois de vender quase 200 mil cópias do primeiro disco, a banda se prepara para o lançamento do segundo álbum, Lavô Tá Novo, pela WEA. A turnê do álbum Lavô Tá Novo se estendeu por todo o ano de 1996 e para não deixar o ano sem nenhum lançamento, foi sugerido ao grupo pelo empresário que lançassem um ambicioso projeto, Cesta Básica, um box-set com CD, VHS e revista em quadrinhos.

No final de 1996, já tendo passado mais de um ano suprimindo o luto pelo irmão e tido uma disputa a respeito dos direitos autorais, porque Rodolfo teria mais pagamentos por contribuir letra e música, Digão teve um surto após uma viagem de ácido, chegando a ter delírios visuais, e tirou um tempo com a família em Brasília para se recuperar. Lá decidiu parar de fumar maconha para diminuir seus pensamentos negativos e estresse. Com a turnê se estendendo até 1997, o resultado foram férias mais curtas e os compromissos começaram a pintar, afinal a banda tinha que cumprir os planos da gravadora e já passava o tempo de lançar um novo trabalho lembrando que desde o Lavô Tá Novo a banda não lançava material inédito. Em 1997 vão de novo até Los Angeles para gravar Lapadas do Povo. O disco deixa de lado letras e melodias engraçadas, investe no peso e em letras mais sérias. Apesar das boas críticas, o disco acaba vendendo menos que os anteriores. Para piorar, em um show na cidade de Santos, litoral de São Paulo, um dos alambrados onde o público saía caiu, provocando a morte de oito pessoas e 67 feridos. A banda se abala com o ocorrido e cancela diversas apresentações.

Entraram no AR Studio, na Barra da Tijuca (RJ), e recrutaram os produtores Tom Capone e Carlos Eduardo Miranda. Em um clima super tranquilo e com bastante entrosamento, as gravações do álbum se desenrolaram. Nos intervalos, muito surf e outros esportes. As gravações seguiram bem durante janeiro e fevereiro de 99, e inclusive contaram com surpresas: Digão foi pai novamente, com o nascimento da filha Giulia no mês de fevereiro (ele já tinha um filho, o Ricardo). No final do mês de maio chega às lojas o tão aguardado novo CD da banda, intitulado Só no Forévis, o disco foi um sucesso total tanto com a mídia quando com a credita, vendagem do cd contabiliza 800 mil copias. Para coroar a ótima fase, em 2000 a banda lança, no auge de seu sucesso, junto com a MTV, o MTV Ao Vivo, que foi dividido em duas partes. Em junho de 2001 após uma longa conversa entre os integrantes, o Raimundos anuncia seu fim. O principal motivo era a insatisfação de Rodolfo. Dois meses depois, Fred, Canisso e Digão resolvem retornar com a banda. Lançaram o disco Éramos 4, que conta com canções de um concerto da banda com o ex-baterista do Ramones, Marky Ramone onde tocaram sucessos da banda americana, além de duas regravações inusitadas e a regravação de "Sanidade", música que estava presente na primeira fita demo. Apresentando a nova formação, com Digão cantando.

Em 2002 a banda, já com um novo membro (Marquim), fez o lançamento do primeiro álbum totalmente inédito, Kavookavala. O álbum conta com várias participações, entre elas o cantor do Sepultura Derrick Green e Mr. Catra, com doze canções inéditas. Foi o último álbum da banda a ter um relativo sucesso. Pouco tempo após este lançamento, alegando desgaste natural, o baixista Canisso abandonou o grupo, sendo substituído pelo até então cantor do Rumbora, Alf. Sem conseguir o sucesso dos álbuns anteriores, a banda foi entrando em constantes crises. Depois de um longo período fora da mídia, desgastes e concertos cancelados, surge a necessidade dos integrantes seguirem suas carreiras com projetos paralelos. Digão e Denis Porto lançam Denis & Digão pela Universal Music, e o SuperGalo (Fred, Alf e inicialmente Marquim). O tempo passou, e com ele vieram os choques de agenda, fato que ocasionou o retorno de Canisso, inicialmente apenas para um concerto. Fred, que já andava discordando musicalmente com Digão, resolveu sair da banda, já que tinha brigado com Canisso, que se torna fixo na banda novamente. Começou a partir daí a cuidar da parte emrpresarial da banda e dos rumos em que a banda tomaria. Em 2013 Digão gravou a música "Minha Rainha" com a banda Tihuana e ainda participou do clipe da canção que também contou com Dinho Ouro Preto do Capital Inicial. Em 2015, tocou pela primeira vez ao lado do filho Rick Campos, que é pianista.

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