Santo Estolano ou Hortolano foi, segundo relatos piedosos, o pai de Santa Ana, avô de Maria e, portanto, bisavô de Jesus Cristo, por vezes retratado em círculos artísticos europeus em temas relacionados ao Santo Parentesco. Não há referência ao avô de Maria, nominal ou não, no Novo Testamento canônico ou no Protoevangelho de Tiago, que é a fonte mais antiga que nomeia São Joaquim e Santa Ana como pais de Maria.
As tradições lendárias vinculadas aos santos da Ordem Carmelita identificam os santos Emerência e Estolano como pais de Santa Ana, reconhecida pela tradição como mãe da Virgem Maria.
Sobre Estolano, o que se conhece provém, sobretudo, das referências à hagiografia de sua esposa, Emerência. Esta pertencia à linhagem real de Judá e sua linhagem descendia do Rei Davi. Ela residia em um palácio situado nas proximidades do Monte Carmelo e cujas ruínas são identificadas como autênticas por peregrinos ao menos desde o século XIV. Em razão disso, mantinha contato frequente com os carmelitas, com quem se dirigia para orar em uma capela dedicada à futura Mãe de Deus. Emerência havia emitido voto de virgindade, seguindo orientação dos carmelitas, a exemplo de seus próprios pais, que se separaram para viver em continência. Ocorreu que, enquanto Emerência se encontrava na encosta da montanha acompanhada de dois religiosos, um anjo lhes apareceu e revelou em visão uma criança que haveria de nascer da linhagem da jovem, indicando que ela ainda não deveria cumprir seu voto. Em oração, os seguidores de Elias tiveram a revelação de uma planta formosa, da qual brotava uma raiz que se ramificava em belas flores, destacando-se entre elas a mais bela no topo, que corresponderia à criança prometida. Os pais de Emerência acolheram o desígnio divino e procuraram para ela um esposo de linhagem nobre e de boa reputação. Emerência contraiu matrimônio, presumivelmente com a bênção dos carmelitas, porém, na mesma noite, seu marido, ao buscar possuí-la por mero prazer carnal, foi arrebatado pelo demônio Asmodeus, de modo semelhante ao narrado no Antigo Testamento a respeito de Sara, esposa de Tobias. Tal fato se repetiu por seis vezes, até que, na sétima ocasião, ela se casou, por influência de seus pais, com o jovem Estolano, que descendia da casa de Aarão e mantinha boas relações com os carmelitas. Ele se uniu com ela uma única vez, com a finalidade de conceber o descendente do qual proviria o Messias. Desse matrimônio nasceu Santa Ana, a qual, ainda jovem, teve igualmente a visão de uma bela planta da qual desabrochou uma formosa flor, que por sua vez produziu um belo fruto, interpretado como Ana sendo a planta, Maria a flor e Jesus o fruto.
Por fim, segundo a lenda, Emerência e Estolano retiraram-se para a vida de oração, deixando seus bens à filha Ana, a qual, em gratidão aos carmelitas, doou sua casa em Jerusalém, próxima à Porta Dourada, onde foi fundado um convento, o segundo da Ordem, que permaneceu em atividade até o século XIII, quando os religiosos foram expulsos da Terra Santa.
«Les parents de Sainte Anne, arrières grands parents de Jésus». Ar Gedour (em francês)