Geógrafo é o profissional da geografia, ciência que estuda a dimensão espacial dos fenômenos naturais e humanos e tem o espaço geográfico como um de seus conceitos centrais. Geógrafos analisam a localização, distribuição, relações e dinâmica de fenômenos em diferentes escalas, articulando aspectos naturais, sociais, econômicos e territoriais.
Seu campo de estudo abrange fenômenos relacionados ao relevo, clima, hidrografia, solo e distribuição dos seres vivos, assim como população, cidades, economia, cultura, política, redes e organização territorial. A disciplina compreende tradicionalmente a geografia física e a geografia humana, além de campos que integram diferentes dimensões da análise geográfica.
Na pesquisa e na atuação profissional, geógrafos utilizam trabalho de campo, cartografia, métodos quantitativos e qualitativos, análise espacial, sensoriamento remoto, geoprocessamento e sistemas de informação geográfica (SIG), entre outras técnicas.
A atividade profissional pode envolver estudos do meio físico e socioeconômico, levantamentos territoriais, estudos ambientais, regionalização, mapeamento, planejamento urbano e regional, análise populacional, mobilidade e transportes, gestão territorial e produção de estudos, mapas, pareceres e outros documentos técnicos. A formação exigida, as atribuições e a regulamentação profissional variam entre os países.
História e institucionalização da profissão
Antecedentes e profissionalização
A denominação geógrafo é antiga, embora a profissão em seu sentido moderno seja muito posterior. Na Antiguidade, estudiosos como Eratóstenes, Estrabão e Ptolemeu contribuíram para a sistematização de conhecimentos relacionados à localização, às características e à representação da superfície terrestre.
Durante séculos, o termo podia designar estudiosos, viajantes, cartógrafos ou funcionários envolvidos na descrição e representação de territórios. A formação do geógrafo moderno ocorreu sobretudo no século XIX, paralelamente à institucionalização da Geografia como disciplina universitária, à criação de sociedades geográficas e ao desenvolvimento de métodos sistemáticos de pesquisa.
Alexander von Humboldt e Carl Ritter exerceram influência importante sobre a Geografia moderna. Ritter ocupou uma cátedra de Geografia na Universidade de Berlim a partir da década de 1820, e outras universidades europeias passaram a estabelecer cátedras e institutos da disciplina durante o século XIX. A Royal Geographical Society, fundada em Londres em 1830, também participou da institucionalização e difusão do conhecimento geográfico.
A institucionalização da Geografia no Brasil ganhou impulso nas primeiras décadas do século XX. Entre seus precursores esteve Delgado de Carvalho, associado à renovação do ensino e dos estudos geográficos no país.
O ensino universitário de Geografia foi estabelecido em 1934 na recém-criada Universidade de São Paulo. A primeira cátedra foi ocupada pelo geógrafo francês Pierre Deffontaines, que também participou naquele ano da fundação da Associação dos Geógrafos Brasileiros (AGB). Deffontaines foi sucedido na USP por Pierre Monbeig, que teve participação importante na formação das primeiras gerações de geógrafos brasileiros.
A Geografia também foi incorporada à estrutura técnica do Estado. Em 1937 foi criado o Conselho Brasileiro de Geografia, integrado ao então Instituto Nacional de Estatística e destinado a articular estudos e serviços geográficos e representar o país na União Geográfica Internacional. Em 1938, a incorporação das atividades geográficas ao instituto levou à adoção do nome Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O Rio de Janeiro sediou, em 1956, o Congresso Internacional de Geografia da União Geográfica Internacional. A profissão de geógrafo foi regulamentada nacionalmente em 1979 pela Lei nº 6.664.
A formação universitária da Geografia em Portugal consolidou-se durante a primeira metade do século XX. Amorim Girão, ligado à Universidade de Coimbra, esteve entre os pioneiros da Geografia universitária portuguesa.
Orlando Ribeiro tornou-se uma das principais referências da Geografia portuguesa do século XX e fundou, em 1943, o Centro de Estudos Geográficos da Universidade de Lisboa (CEG). O centro reuniu posteriormente geógrafos como Francisco Tenreiro, Raquel Soeiro de Brito, Ilídio do Amaral e Suzanne Daveau.
Lisboa sediou o Congresso Internacional de Geografia em 1949. A Associação Portuguesa de Geógrafos foi formalmente constituída em 1987.
A atuação do geógrafo envolve levantar, representar, analisar e interpretar fenômenos espaciais e territoriais e produzir informações para pesquisa, planejamento e gestão. Muitas dessas atividades são realizadas em equipes multidisciplinares e podem assumir características distintas conforme a formação do profissional, o objeto estudado e a legislação de cada país.
Entre os principais campos e aplicações profissionais encontram-se: