O Gemini (pronunciado "djê-mi-náy"), também conhecido como Google Gemini (anteriormente chamado de Bard), é um chatbot de inteligência artificial generativa e assistente virtual desenvolvido pelo Google. Ele é impulsionado pela família de grandes modelos de linguagem (LLMs) de mesmo nome, após ter sido baseado anteriormente no LaMDA e no PaLM 2. De acordo com a Statcounter, o Google Gemini é o segundo maior chatbot de inteligência artificial generativa do mundo, atrás apenas do ChatGPT, da OpenAI.
A arquitetura do Gemini é treinada nativamente em múltiplos tipos de dados, permitindo que os modelos processem e gerem texto, código de programação, imagens, áudio e vídeo de forma simultânea. A Google distribui a tecnologia em diferentes capacidades, que variam desde versões eficientes para execução em dispositivos locais (Nano) e variantes de alto rendimento e custo-benefício (Flash), até modelos de altíssimo desempenho computacional projetados para raciocínio complexo (Pro e Ultra). As gerações de modelos 1.5, 2.0, 2.5 e 3 introduziram janelas de contexto estendidas e capacidades voltadas à "era agêntica", viabilizando a análise de grandes volumes de dados — como bases de código completas, vídeos longos ou extensos arquivos de documentos — e a execução autônoma de tarefas complexas em um único prompt.
O Gemini foi anunciado originalmente em 6 de dezembro de 2023, substituindo a antiga identidade visual da Google para serviços de IA. Em fevereiro de 2024, o chatbot Bard passou a se chamar Gemini, e a marca Duet AI para o Google Cloud e Workspace foi aposentada em favor da nomenclatura Gemini. Os modelos estão integrados ao ecossistema da Google por meio do aplicativo móvel Gemini, que atua como assistente sobreposto em dispositivos Android e iOS, além da plataforma Vertex AI para desenvolvedores de terceiros.
O lançamento do Gemini gerou tanto elogios técnicos quanto controvérsias públicas. Especialistas destacaram os resultados do modelo em testes de codificação e resgate de dados, rivalizando com o GPT-4 e sucessores da OpenAI. No entanto, a estreia enfrentou críticas quanto à precisão de suas respostas e diretrizes de segurança. No início de 2024, a Google suspendeu temporariamente a geração de imagens de pessoas após usuários apontarem imprecisões históricas e vieses na representação de figuras humanas. Atualizações posteriores, como as séries Gemini 1.5, 2.x, 3 e 3.1 lançadas ao longo de 2025 e 2026, focaram na redução de alucinações, na diminuição da latência, no aprimoramento de recursos agênticos para pesquisa autônoma, desenvolvimento de software e raciocínio matemático e científico avançado.
Em novembro de 2022, a OpenAI lançou o ChatGPT, um chatbot baseado na família GPT-3 de modelos de linguagem grande (LLM). Após o seu lançamento, o ChatGPT despertou o interesse mundial, alcançando uma ampla repercussão na rede mundial de computadores, tornando-se o aplicativo de consumo com o crescimento mais rápido da história. Diante do possível risco do ChatGPT para o Google Busca, seu principal produto e fonte de receita, os diretores executivos do Google acionaram um sinal de "código vermelho", uma medida de emergência interna para mobilizar diversas equipes e acelerar drasticamente os esforços da empresa no campo da inteligência artificial (IA). A preocupação era que uma interface de conversação pudesse substituir a necessidade de uma busca tradicional baseada em links, o que representava uma ameaça existencial ao modelo de negócios da companhia. Em uma ação rara e inédita, os cofundadores do Google, Larry Page e Sergey Brin, que haviam se afastado dos cargos de co-CEOs da empresa-mãe Alphabet em 2019, foram chamados para reuniões urgentes com os executivos da empresa para definir a estratégia do Google frente ao ChatGPT e aprovar novos planos de integração de IA em seus produtos.
No começo daquele ano, a empresa já havia apresentado publicamente o LaMDA (Language Model for Dialogue Applications), um protótipo de LLM, durante a conferência Google I/O de 2021. No entanto, o Google adotou uma postura cautelosa e não o disponibilizou para o público, citando a necessidade de refinar a segurança e mitigar riscos de geração de conteúdo prejudicial ou enviesado. Em resposta a uma pergunta de funcionários em uma reunião geral sobre se o LaMDA era uma chance desperdiçada para o Google disputar com o ChatGPT, o CEO do Google e da Alphabet, Sundar Pichai, acompanhado do líder do Google AI, Jeff Dean, declarou que embora a empresa possuísse competências similares ao ChatGPT, agir muito rápido nesse campo implicaria um grande "risco reputacional" devido ao Google ser consideravelmente maior que a OpenAI e ter uma base de usuários global que confia em seus produtos. Em janeiro de 2023, o diretor executivo da DeepMind, Demis Hassabis, anunciou planos para um concorrente do ChatGPT, e os funcionários do Google receberam orientações para acelerar o desenvolvimento de um rival do ChatGPT, realizando testes intensivos no "Apprentice Bard" e em outros chatbots. O Apprentice Bard, em particular, era um dos projetos mais avançados, utilizando a tecnologia LaMDA e sendo testado internamente por milhares de funcionários para refinar suas respostas e segurança. Durante a teleconferência trimestral de resultados do Google em fevereiro, Pichai assegurou aos investidores que a empresa tinha projetos para ampliar a disponibilidade e as aplicações do LaMDA de forma mais ampla e pública em um futuro próximo.
O Google anunciou oficialmente a IA com o nome Bard em 6 de fevereiro de 2023, com Sundar Pichai descrevendo-o como um "serviço de IA conversacional experimental". O lançamento inicial foi limitado a um pequeno grupo de "testadores confiáveis" nos Estados Unidos e no Reino Unido, com planos de expansão gradual. O lançamento foi visto pela imprensa como apressado, ocorrendo um dia antes do anúncio da Microsoft sobre a integração do ChatGPT ao seu buscador Bing. A pressão competitiva ficou evidente quando, durante uma demonstração do Bard em um anúncio promocional, o chatbot forneceu uma resposta factualmente incorreta sobre o Telescópio Espacial James Webb. Esse erro foi amplamente divulgado e contribuiu para uma queda de 100 bilhões de dólares no valor de mercado da Alphabet no dia seguinte, destacando os riscos e a intensa fiscalização sobre a precisão da tecnologia.
O Bard foi aberto ao público nos Estados Unidos e Reino Unido em 21 de março de 2023.
Evolução da marca e transição para Gemini
A mudança mais significativa na trajetória do produto ocorreu em 6 de dezembro de 2023, quando o Google apresentou o Gemini. O anúncio destacou que o Gemini Ultra superava o GPT-4 da OpenAI em 30 de 32 benchmarks acadêmicos amplamente utilizados.
Em 8 de fevereiro de 2024, o Google consolidou sua estratégia de marca de IA, aposentando o nome "Bard" e renomeando o chatbot para Gemini. Simultaneamente, a marca "Duet AI", usada para funcionalidades de IA no Google Workspace e Google Cloud, também foi unificada sob a bandeira Gemini. Nesta data, foi lançado o Gemini Advanced, um nível de assinatura premium que dá acesso à versão mais poderosa do modelo, o Gemini Ultra 1.0. Este serviço foi integrado a um novo plano do Google One chamado "AI Premium".
Evolução das gerações de modelos
Após o lançamento inicial, a Google acelerou o ritmo de lançamento de novas gerações de modelos:
Gemini 1.5 (Fevereiro–Maio de 2024): Introduziu a janela de contexto de 1 milhão de tokens (capaz de processar uma hora de vídeo ou 30 mil linhas de código de uma só vez), seguida pela variante de alto desempenho e eficiência Gemini 1.5 Flash.
Gemini 2.0 (Dezembro de 2024 – Fevereiro de 2025): Inaugurou a chamada "era agêntica", introduzindo saídas multimodais nativas (geração simultânea de texto, áudio e imagem) e suporte a agentes autônomos por meio de recursos como o Deep Research.
Gemini 2.5 (Março–Junho de 2025): Apresentou os primeiros modelos de raciocínio profundo baseados em técnicas de cadeia de pensamento, como o Gemini 2.5 Pro Experimental e o Gemini 2.5 Flash.