He Zizhen (chinês: 贺子珍; pinyin: Hè Zizhēn; Wade–Giles: Ho Tzu-chen; 20 de setembro de 1910 – 19 de abril de 1984) foi uma militar, revolucionária e política chinesa, que foi a terceira esposa do presidente Mao Zedong de 1928 a 1937 e participou da Longa Marcha.
He Zizhen nasceu em Yunshan (云山, atual Condado de Yongxin), Jiangxi, em 1910, como He Guiyuan (贺桂圆), sendo a segunda de quatro filhos. Sua família pertencia à gentry acadêmica empobrecida e administrava uma casa de chá, enviando He para uma escola missionária protestante gratuita durante sua juventude. Ela se filiou à Liga da Juventude Comunista da China em 1925, junto com seus irmãos. He Zizhen mais tarde se formou na Escola de Meninas de Yongxin e tornou-se membro pleno do Partido Comunista da China em 1926.
Primeiras atividades comunistas
Como membro do partido, He Zizhen foi nomeada chefe do Departamento das Mulheres do condado e trabalhou como propagandista itinerante. Ela lutou na revolta de Yongxin de 1927 e começou a atuar como partisan comunista. Especialista em guerra de guerrilha e uma combatente hábil, He Zizhen também era uma excelente atiradora, o que lhe rendeu o apelido de "General Menina de Duas Armas".
Relacionamento com Mao e a Longa Marcha
He Zizhen foi apresentada a Mao Zedong nas Montanhas Jinggangshan por Yuan Wencai, um colega de classe de seu irmão mais velho, na primavera de 1928. A esposa de Yuan, Xie Meixiang, relembrou que ela e Yuan organizaram para que He cuidasse de Mao quando ele adoeceu e, posteriormente, incentivaram os dois a iniciarem um relacionamento. He e Mao se casaram no final de junho de 1928.
A neta de He e Mao, Kong Dongmei, relatou que He lhe contou uma versão diferente dos fatos, na qual Mao teria cortejado He e o casal teria se casado em maio de 1928.
Quando He e Mao se casaram, a esposa de Mao, Yang Kaihui, ainda estava viva, mas, de acordo com Xie Meixiang, Mao acreditava que Yang já havia sido morta no Terror Branco. No final de 1927, Mao pediu a um comerciante chamado Wu Fushou que procurasse por Yang em Changsha; na primeira vez, Wu retornou sem notícias, mas na segunda vez em que esteve em Changsha, ouviu relatos falsos de que Yang havia sido morta. Wu retornou a Jinggangshan e disse a Mao que Yang havia morrido. A rede de contato do Partido entre Hunan e Jiangxi havia sido interrompida, de modo que não havia outras notícias. Em 1930, Yang foi executada em Changsha por ordens do senhor da guerra He Jian.
Enquanto esteve com Mao, He Zizhen se limitou ao trabalho administrativo e atuou como secretária de Mao. Apesar disso, ela foi gravemente ferida por estilhaços em 1935 e precisou ser carregada em uma maca em trechos da Longa Marcha, sofrendo 17 ferimentos a bala durante o percurso.
He Zizhen teve três filhas e três filhos com Mao Zedong – tendo engravidado dez vezes ao longo de sua vida –, mas, com exceção da filha Li Min, todos eles morreram jovens ou foram separados da família. Isso se deveu em parte ao deslocamento constante dos comunistas enquanto tentavam escapar do Kuomintang. A filha mais velha do casal, Yang Yuehua, que foi deixada com uma família local em Fujian, foi localizada e reconhecida pelo irmão de He Zizhen em 1973, mas nunca teve a oportunidade de conhecer Mao ou He. Sendo perseguida de perto e tendo acabado de dar à luz uma filha, He apenas olhou para a criança e foi levada de volta à Longa Marcha, deixando 13 yuans e uma nota para trás. Dois pesquisadores ingleses que refizeram todo o trajeto da Longa Marcha em 2002–2003 localizaram uma mulher que acreditam ser a criança perdida deixada aos cuidados de terceiros por Mao e He em 1935.
Em 1936, ainda durante a Longa Marcha, He Zizhen ajudou Jin Weiying a dar à luz Li Tieying, filho do chefe do Departamento de Organização do Partido Comunista da China, Li Weihan. Liu Ying e Li Jianzhen também auxiliaram no parto.
Divórcio de Mao e permanência na Rússia
Em 1937, Mao teria iniciado um caso com Wu Lili, a intérprete da jornalista Agnes Smedley. Após um confronto com Mao, He Zizhen viajou, grávida, para a União Soviética em busca de tratamento para um ferimento sofrido anteriormente em batalha, cursando posteriormente o Instituto de Estudos Orientais de Moscou sob o pseudônimo de Wen Yun. Em Moscou, em 1938, He Zizhen deu à luz um menino, Xiao Liuwa, que morreu pouco tempo depois de pneumonia. Sua filha, Li Min, também sofreu de pneumonia após chegar a Moscou acompanhada de Mao Anqing e Mao Anying para ficar com He. De acordo com Mao Anying, He Zizhen sofreu uma depressão profunda após perder mais um filho. Para sustentar as três crianças, He lavava roupas para fora, tricotava meias e cortava lenha nos fins de semana. Ela permaneceu internada em um sanatório entre 1942 e 1946.
Mao casou-se com Jiang Qing em novembro de 1938 sem ter se divorciado formalmente de He.
Após seu retorno à China em 1947, ela se mudou para o sul do país e permaneceu em Hangzhou por algum tempo, tornando-se, em 1949, a presidente da União das Mulheres da Província de Zhejiang. Sua saúde era instável. Chen Yi, um antigo amigo de He que era o primeiro-secretário do comitê municipal do Partido em Xangai, organizou posteriormente a transferência de He para Xangai como chefe do departamento organizacional do comitê do Partido no Distrito de Hongkou; Chen providenciou cuidados médicos para He em Xangai e visitas a Qingdao, Lushan e outros locais para melhorar sua saúde. Relata-se que Mao Zedong se ofereceu para pagar as despesas de subsistência de He com a renda de suas publicações.
Em julho de 1958, após Chen ter sido transferido para Pequim, He mudou-se para Nanchang, onde morava sua antiga amiga Zhu Danhua; Zhu havia sido esposa de Mao Zemin e havia se casado novamente com Fang Zhichun, que na época era vice-governador de Jiangxi. O comitê provincial de Jiangxi disponibilizou para He um cuidador, um cozinheiro e um secretário, mantendo sua identidade em segredo.
Após 1972, He criou sua neta, Kong Dongmei, em Xangai. Kong relembrou que He e Mao enviavam presentes um ao outro por meio de Li Min. Em junho de 1979, Deng Xiaoping indicou He como delegada suplente para a quinta Conferência Consultiva Política do Povo Chinês após sua segunda sessão. Juntamente com Li e Kong, He viajou para Pequim e visitou o Mausoléu do Presidente Mao.
He passou seus últimos anos hospitalizada em Xangai, onde morreu em 19 de abril de 1984. Após o serviço memorial realizado em Xangai em 25 de abril de 1984, seus restos mortais foram cremados e sepultados no Cemitério Revolucionário de Babaoshan.