Inocência é um município brasileiro do estado de Mato Grosso do Sul, na Região Centro-Oeste do país. Integra a região imediata de Paranaíba–Chapadão do Sul–Cassilândia e a região intermediária de Campo Grande, segundo a divisão regional vigente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O município tem 5 761,190 km² de área e população de 8 404 habitantes no Censo 2022, o que resulta em densidade demográfica de 1,46 habitante por quilômetro quadrado. A estimativa do IBGE para 1º de julho de 2026 é de 8 814 habitantes.
O povoamento da área começou a partir de criadores de gado atraídos pelas pastagens da região; o núcleo urbano foi fundado em 1947 por um grupo de moradores e recebeu o nome de Bocaina, posteriormente alterado para Inocência em homenagem ao romance Inocência, do Visconde de Taunay. O município foi emancipado de Paranaíba em 17 de novembro de 1958.
A economia municipal baseia-se na pecuária e na agricultura, com destaque para a criação de bovinos e para as lavouras de soja, mandioca e seringueira. Em 2023, o Produto Interno Bruto (PIB) do município foi de R$ 946,3 milhões. Desde 2025, o município sedia o Projeto Sucuriú, da empresa chilena Arauco, um complexo industrial de celulose orçado em 4,6 bilhões de dólares.
O topônimo do município foi adotado em homenagem ao romance Inocência, de Alfredo de Escragnolle Taunay, visconde de Taunay, cujo enredo retrata fatos e costumes da região. O distrito havia sido criado com a denominação de São Pedro e recebeu o nome atual pelo decreto-lei estadual nº 545, de 31 de dezembro de 1943.
Colonização e formação do povoado
As terras ocupadas pelo atual município foram inicialmente povoadas por criadores de gado, que se estabeleceram na região em busca de melhores pastagens para seus rebanhos. Com os estabelecimentos já consolidados, esses criadores passaram a enfrentar dificuldades de comunicação e comercialização, por se encontrarem distantes dos núcleos urbanos existentes.
Em 1947, reuniram-se Juventino Campos, João Barbosa Ferreira, Symphrônio Júnior, José Maria Albino, Francisco Albino, Antônio Ferreira Leal, Amâncio Nepomuceno, Franklin Gomes da Silva, Pedro Paulo de Queiróz, Alexandre Batista Garcia, Júlio José dos Santos, Aurélio Valadão e outros moradores, com o objetivo de fundar um povoado. Em nome de Alexandre Batista Garcia, Pedro Vilela Valadão e Raul Rached foram adquiridos quatro alqueires goianos de terras da Fazenda Bocaina, localizadas entre os córregos Sanfona e Vióla. As terras foram loteadas e, iniciadas as vendas, surgiram as primeiras construções, formando o povoado que tomou a denominação de Bocaina.
Em 1951, em imóvel cedido por Alexandre Batista Garcia, foi instalada a primeira escola do povoado, tendo como professora Maria Aurora de Oliveira. No mesmo ano, por iniciativa e colaboração dos habitantes, foi erigida a igreja católica local.
O distrito de São Pedro figurava, nas divisões territoriais de 1936 e 1937, no município de Santana do Paranaíba, que passou a denominar-se Paranaíba pelo decreto-lei estadual nº 208, de 26 de outubro de 1938. Pelo decreto-lei estadual nº 545, de 31 de dezembro de 1943, o distrito de São Pedro passou a denominar-se Inocência, permanecendo subordinado a Paranaíba nas divisões territoriais de 1950 e 1955.
Pela lei estadual nº 1.129, de 17 de novembro de 1958, Inocência foi elevada à categoria de município, desmembrada de Paranaíba, com sede no antigo distrito e constituída inicialmente pelos distritos de Inocência e São Pedro. A instalação ocorreu em 4 de abril de 1959, data comemorada como aniversário do município. Pela lei estadual nº 2.070, de 14 de dezembro de 1963, foi criado o distrito de São José do Sucuriú; no mesmo mês, pela lei estadual nº 2.074, foi criado o distrito de Morangas. Com a criação do estado de Mato Grosso do Sul pela lei complementar federal nº 31, de 11 de outubro de 1977, o município passou a integrar a nova unidade federativa. Em divisão territorial de 2009, o município era constituído pelos distritos de Inocência, Morangas, São José do Sucuriú e São Pedro.
Inocência está situada no leste de Mato Grosso do Sul, na antiga mesorregião do Leste de Mato Grosso do Sul e na microrregião de Paranaíba. Na divisão regional vigente do IBGE, pertence à região imediata de Paranaíba–Chapadão do Sul–Cassilândia e à região intermediária de Campo Grande. A sede municipal localiza-se a 19º43'33" de latitude sul e 51º55'48" de longitude oeste, a cerca de 312 km de Campo Grande por rodovia.
O território municipal limita-se com Paranaíba, Cassilândia, Aparecida do Taboado, Selvíria, Três Lagoas, Água Clara e Chapadão do Sul; a configuração dos limites pode ser consultada na malha territorial do IBGE. O município tem área de 5 761,190 km², sendo o 13º maior do estado em área territorial.
Segundo a classificação internacional de Köppen, o clima de Inocência apresenta os subtipos Cwa – subtropical úmido, mesotérmico, com inverno brando e verão quente, forte precipitação anual nas chuvas de verão, e Aw – tropical, megatérmico, com estação de inverno pouco definida ou ausente. Estudos do clima regional indicam que o município tem clima controlado por massas equatoriais e tropicais, alternadamente secas e úmidas, com destacada atuação da massa tropical atlântica. Segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) referentes a 2014, a temperatura média é de 22 °C e a precipitação anual média varia entre 1 500 e 1 700 mm, sendo os meses mais chuvosos de dezembro a março e os mais secos de julho a setembro.
A geologia local é representada pela Formação Vale do Rio do Peixe, constituída de arenitos muito finos a finos, de coloração marrom, rosa e alaranjada, com intercalações de siltito maciço e lentes de arenito conglomerático, depositados em ambiente continental desértico e eólico.
O município pertence à Região Hidrográfica do Paraná e está inserido na Unidade de Planejamento e Gerenciamento (UPG) Sucuriú, que apresenta as maiores vazões entre janeiro e março, chegando a 718 m³/s próximo à foz do rio Sucuriú, e os menores valores próximos às nascentes, da ordem de 12,7 m³/s; o principal uso do recurso hídrico na unidade é a dessedentação animal. O rio Sucuriú, afluente pela margem direita do rio Paraná, faz limite entre Inocência e os municípios de Três Lagoas, Selvíria e Água Clara, apresentando muitas cachoeiras em seu curso superior. O córrego Sanfona e o córrego Vióla, entre os quais se formou o núcleo urbano original, banham a área da sede, e o rio São José é apontado no diagnóstico de saneamento como corpo receptor da estação de tratamento de esgoto do município.
A sede do município está sobreposta à área de incidência do bioma Cerrado, que se estende por cerca de 61% do território de Mato Grosso do Sul e inclui um gradiente de formações que vai do campo limpo, onde predominam gramíneas, ao campo cerrado e ao cerradão. A fisionomia vegetal da região da sede é de contato (encrave) entre a savana estépica e a floresta estacional, hoje majoritariamente antropizada e convertida em pastagens.
No Censo 2022, Inocência tinha 8 404 habitantes, registrando variação absoluta de 727 pessoas em relação à população de 2010 compatibilizada e taxa de crescimento geométrico de 0,76% ao ano no período intercensitário. A estimativa populacional do IBGE para 1º de julho de 2026 é de 8 814 habitantes. A densidade demográfica calculada para 2022 era de 1,46 habitante por quilômetro quadrado.