Jerônimo de Albuquerque (Lisboa, ca. 1510 — Olinda, 25 de dezembro de 1584) foi um administrador colonial e senhor de engenho português. Conhecido como "o Adão Pernambucano" por ser ancestral de várias famílias, políticos, artistas e figuras na história do Brasil.
Originário de uma família muito nobre de Portugal, seus descendentes foram uma das origens da nobreza da terra no Brasil, principalmente no Nordeste. Durante o período colonial, suas linhagens se dividiam entre senhores de engenho, cardeais, administradores coloniais e militares. Durante o período imperial, essas linhagens foram ocupadas por aristocratas, latifundiários, médicos e políticos. Atualmente, no período republicano, seus descendentes ainda ocupam vários cargos políticos, literários, artísticos, entre outros.
Nascido em Lisboa, era filho de Lopo de Albuquerque, o Bode, e de sua primeira mulher, da qual foi segundo marido, Joana de Bulhão ou de Bulhões, sendo primo-sobrinho de Afonso de Albuquerque, o governador da Índia Portuguesa. Em 1534, chegou na capitania de Pernambuco com sua irmã Brites de Albuquerque, esposa do primeiro donatário de Pernambuco, Duarte Coelho.
Em Pernambuco, participou de conflitos contra os indígenas Tabajaras, nativos daquelas terras, mas acabou levando uma flechada e perdeu um dos olhos. Após esse incidente, ficou conhecido pelo apelido de "o Torto". Em outro momento, foi ferido, preso e condenado à morte, sendo supostamente salvo pela intervenção de Muira Ubi, filha do cacique de Uirá Ubi (Arco Verde), da tribo Tabira (ou Tindarena), que se apaixonou por ele e o quis como marido. O matrimônio selou a paz entre os tabajaras e os colonizadores portugueses. Batizada, posteriormente, a indígena Muira Ubi recebeu o nome de "Maria do Espírito Santo Arco Verde", em homenagem à festa de Pentecostes que se celebrava no dia do batismo.
Em 1562, em obediência a uma carta-intimação de D. Catarina de Áustria, rainha-regente de Portugal, casou-se com Felipa de Mello, filha de D. Cristóvão de Mello. Segundo a Rainha, sendo ele o sobrinho de D. Afonso de Albuquerque e descendente de reis, não deveria seguir a "lei de Moisés", isto é, manter "trezentas concubinas".
Em 1576, em posto de tenente, foi nomeado como 10° governador de Pernambuco, por oito meses. Sendo novamente nomeado em 1579 por quinze meses. Em suas terras, nas proximidades de Olinda, fundou um dos primeiros engenhos de açúcar de Pernambuco (depois de Pero Capico), o engenho Nossa Senhora da Ajuda, posteriormente denominado de Forno da Cal.
Sua primeira união foi a indígena Muira Ubi, batizada como Maria do Espírito Santo Arcoverde, filha do cacique Tabajara Uirá Ubi. Desse casamento nasceram oito filhos:
Catarina de Albuquerque, a Velha (Olinda, c. 1544 - Olinda, 6 de Abril/4 de Junho de 1614, sep. Capela de São João da Matriz do Salvador de Olinda). Se casou com o fidalgo florentino Filippo di Giovanni Cavalcanti, logo Felipe ou Filipe Cavalcanti (Florença, 12 de Junho de 1525 - Olinda, c. 1614). Os descendentes desse casal, são uma das maiores linhagens.
Manuel de Albuquerque (c. 1546-?). Se casou com Maria de Mello, com descendência.
André de Albuquerque (Recife, 1547-?). Foi duas vezes administrador colonial da capitania da Paraíba. Se casou com Catarina de Mello, com descendência, e com Isabel de Vasconcellos, com descendência.
Izabel de Albuquerque (Olinda, c. 1550-?). Se casou com seu primo-irmão Felipe de Moura (Lisboa, c. 1548 - Olinda, 28 de Junho de 1618), capitão-mor de Pernambuco, com descendência.
Jerônimo de Albuquerque Maranhão (Olinda, 22 de Abril de 1548 - Engenho Cunhaú, Cangaretama, Rio Grande do Norte, 11 de Fevereiro de 1618). Foi administrador colonial da capitania do Maranhão e do Grão Pará. Foi símbolo na luta contra a invasão francesa e um dos fundadores de Natal, no Rio Grande do Norte. Casou-se com Catarina Pinheiro Feio (Pernambuco, c. 1553-?), com descendência.
Joanna de Albuquerque (Olinda, c. 1552 - Olinda, 31 de Maio de 1614). Se casou com Álvaro Fragoso (Lisboa, 1550 - c. 1608), com descendência.
Antônia de Albuquerque (Olinda, c. 1553 - Olinda, 1593). Se casou com Gonçalo Mendes Leitão (?-1593), com descendência.
Brites de Albuquerque (Olinda, c. 1554 - Olinda, c. 1596). Se casou com Gaspar Dias de Athayde, com descendência, e com o comerciante bávaro Sebald Linz von Dorndorf ou "Cibaldo Lins" (Augsburg, 1555 - 1595), com descendência.
Antônio de Albuquerque. Se casou com Jerônima Rosa de Vasconcelos.
Ana de Albuquerque. Se casou com Jerônimo de Vasconcelos.
Obrigado a se separar da primeira esposa, se casa novamente em 1562, por ordem da rainha-regente de Portugal. Sua segunda esposa foi Felipa de Mello e Sampaio (c. 1510 - Pernambuco, 1574), filha de Cristóvão de Mello e de sua mulher Joanna da Fonseca ou da Silva. Desse segundo casamento nasceram onze filhos: