John Maynard Keynes, 1.º barão Keynes (Cambridge, 5 de junho de 1883 – Firle, 21 de abril de 1946; pronúncia inglesa: /ˈkeɪnz/) foi um economista inglês cujos escritos deram origem à escola keynesiana e a suas ramificações. Formado em matemática, retomou e aperfeiçoou trabalhos anteriores sobre as causas dos ciclos econômicos. Suas ideias tiveram novos desdobramentos na nova economia keynesiana e integram os fundamentos da macroeconomia contemporânea. Keynes foi chamado de "pai da macroeconomia" e figura entre os economistas mais influentes do século XX.
Keynes estudou no King's College da Universidade de Cambridge, onde se formou em matemática em 1904. Durante a Grande Depressão, contestou a ideia neoclássica de que os mercados livres voltariam automaticamente ao pleno emprego no curto ou médio prazo se os trabalhadores aceitassem ajustes salariais. Para ele, o nível de atividade dependia da demanda agregada, e sua insuficiência podia manter o desemprego elevado por muito tempo. Como os salários e custos do trabalho resistem a reduções, a economia não retornaria necessariamente ao pleno emprego sem intervenção. Defendeu o uso das políticas fiscal e monetária para atenuar recessões e depressões. Após a crise de 1929, passou a criticar os pressupostos da vantagem comparativa e a defender medidas protecionistas. Essas ideias foram expostas em A Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda, publicada em 1936. Keynes chefiou a delegação britânica nas negociações que criaram as instituições econômicas internacionais do pós-guerra, embora as propostas dos Estados Unidos tenham prevalecido em diversos pontos.
Sua influência sobre a política econômica diminuiu na década de 1970, em meio à estagflação no Reino Unido e nos Estados Unidos e às críticas de Milton Friedman e outros monetaristas à capacidade dos governos de regular os ciclos econômicos por meio da política fiscal. A crise financeira de 2008 trouxe um novo interesse pela economia keynesiana, que serviu de base teórica para políticas adotadas pelos governos de Barack Obama, Gordon Brown e outros dirigentes.
Em 1999, a revista Time incluiu Keynes na lista das personalidades mais importantes do século XX e afirmou que sua proposta de os governos gastarem recursos que não possuíam talvez tivesse salvado o capitalismo. The Economist chamou-o de "o economista britânico mais famoso do século XX". Keynes também trabalhou no serviço público, integrou a diretoria do Banco da Inglaterra e participou do Grupo de Bloomsbury.
John Maynard Keynes nasceu em Cambridge, na Inglaterra, em 5 de junho de 1883, numa família de classe média alta. Seu pai, John Neville Keynes, era economista e professor de ciências morais na Universidade de Cambridge. Sua mãe, Florence Ada Keynes, foi uma reformadora social e se tornou a segunda mulher a ocupar a prefeitura da cidade. Primogênito, Keynes tinha dois irmãos: Margaret Neville Keynes, nascida em 1885, e Geoffrey Keynes, nascido em 1887. Geoffrey tornou-se cirurgião, e Margaret casou-se com o fisiologista laureado com o Nobel Archibald Hill.
Segundo Geoffrey, os pais eram afetuosos e atenciosos. Frequentavam uma igreja congregacional e viveram sempre na mesma casa, à qual os filhos podiam voltar. O pai deu a Keynes apoio considerável: preparou-o para os exames de bolsas de estudo e o ajudou financeiramente tanto na juventude quanto em 1929, quando a Grande Depressão quase acabou com seus bens. Florence fazia seus os interesses dos filhos. Nas palavras de Skidelsky, como ela crescia com eles, eles nunca deixaram de se sentir em casa.
O pai publicou The Scope and Method of Political Economy em 1890, obra de metodologia econômica. Florence Ada Keynes escreveu livros, participou das reformas sociais da cidade e foi eleita prefeita de Cambridge em 1932. Segundo a pesquisa genealógica relatada por Robert Skidelsky, o sobrenome da família remontaria a Cahagnes, na Normandia; Keynes associava seus antepassados a William de Cahagnes, que teria acompanhado Guilherme, o Conquistador. Essas origens familiares são apresentadas como hipóteses genealógicas, não como fatos demonstrados.
Em janeiro de 1889, aos cinco anos e meio, Keynes começou a frequentar o jardim de infância da Perse School for Girls cinco manhãs por semana. Logo revelou talento para a aritmética, mas a saúde frágil causou várias ausências prolongadas. Em casa, foi ensinado por sua mãe e pela preceptora Beatrice Mackintosh. Em janeiro de 1892, aos oito anos e meio, tornou-se aluno externo da escola preparatória St Faith's. Em 1894, liderava a turma e se destacava em matemática. Dois anos depois, o diretor Ralph Goodchild afirmou que Keynes estava muito à frente dos demais meninos e que tinha condições de obter uma bolsa para Eton.
Em 1897, Keynes obteve uma bolsa de estudos para o Eton College, onde se destacou em matemática, estudos clássicos e história. Em 1901, recebeu o prêmio Tomline de matemática. Em Eton, viveu o primeiro "amor de sua vida" com Dan Macmillan, irmão mais velho do futuro primeiro-ministro Harold Macmillan. Apesar de sua origem de classe média, convivia com facilidade com os colegas da classe alta.
Em 1902, Keynes deixou Eton e ingressou no King's College, Cambridge, com uma bolsa para estudar matemática. Alfred Marshall insistia para que se tornasse economista, mas Keynes se interessava sobretudo por filosofia, especialmente pela ética de G. E. Moore. Foi eleito para o University Pitt Club e participou ativamente dos Apóstolos de Cambridge, sociedade de debates semissecreta que reunia alguns dos alunos mais brilhantes. Manteve seus vínculos com o grupo depois da graduação e compareceu ocasionalmente às reuniões pelo resto da vida. Presidiu a Cambridge Union Society e o Cambridge University Liberal Club. Era considerado ateu.
Em maio de 1904, Keynes concluiu o bacharelado em matemática com distinção. Continuou ligado à universidade nos dois anos seguintes, salvo por alguns meses de férias com familiares e amigos. Participou de debates, aprofundou seus estudos de filosofia e assistiu informalmente, durante um semestre, a aulas de economia como aluno graduado. Essa foi toda a sua formação acadêmica formal na disciplina. Em 1906, prestou os exames para ingressar no serviço público.
O economista Harry Johnson escreveu que o otimismo que marcou a juventude de Keynes é uma chave para entender seu pensamento posterior. Keynes sempre confiou que poderia encontrar uma solução para qualquer problema a que dedicasse sua atenção e manteve uma fé duradoura na capacidade dos funcionários do governo de fazer o bem. O otimismo de Keynes também era cultural, em dois sentidos: ele era da última geração formada por um império ainda no auge de seu poder e também era da última geração que se sentia autorizado a governar pela cultura, em vez de pela experiência. De acordo com Skidelsky, o senso de unidade cultural vigente na Grã-Bretanha do século XIX até o final da Primeira Guerra Mundial forneceu uma estrutura com a qual os bem educados poderiam definir várias esferas de conhecimento em relação uns aos outros e à vida, permitindo-lhes recorrer com confiança a diferentes áreas ao abordar problemas práticos.
Em outubro de 1906, Keynes começou sua carreira no serviço público como secretário no India Office. Ele gostou de seu trabalho no início, mas em 1908 se entediou e renunciou a sua posição para voltar a Cambridge e trabalhar na Teoria da probabilidade, por meio de um cargo de professor de economia inicialmente financiada pessoalmente pelos economistas Alfred Marshall e Arthur Pigou. Tornou-se membro do King's College em 1909.
Em 1909 Keynes também publicou seu primeiro artigo de economia profissional em The Economic Journal, sobre o efeito de uma recente recessão econômica global na Índia. Ele fundou o Clube de Economia Política, um grupo de discussão semanal. Os ganhos de Keynes aumentaram ainda mais quando ele começou a receber alunos para aulas particulares.
Em 1911 Keynes foi feito editor de The Economic Journal. Em 1913, ele publicou seu primeiro livro, Indian Currency and Finance Nesse livro, Keynes analisou em grande detalhe os arranjos monetários da Índia, a partir do final do século XIX. A rúpia circulava em moedas de prata; em 1893, o governo fixou a aceitação da libra soberana de ouro à taxa de 15 rúpias por libra e autorizou a emissão de notas em troca de ouro nessa proporção. Keynes examinou o funcionamento desse arranjo e defendeu a manutenção de um padrão de câmbio-ouro, com reservas e mecanismos de remessa para preservar a estabilidade da rúpia.