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José Maria da Silva Paranhos

Político e diplomata baiano

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José Maria da Silva Paranhos, Visconde do Rio Branco (Salvador, 16 de março de 1819 – Rio de Janeiro, 1 de novembro de 1880), foi um estadista, diplomata, militar e jornalista brasileiro. Nasceu em Salvador, capital da capitania da Baía de Todos os Santos numa família rica — porém a maior parte da fortuna foi perdida após a morte de seus pais ainda na infância. Foi pai de José Maria da Silva Paranhos Júnior, o Barão do Rio Branco, e avô do jogador de rugby, Paulo do Rio Branco.

Paranhos estudou na Academia Real dos Guardas Marinhas e se tornou, em 1841, um aspirante de marinha. Mais tarde, foi estudar na Real Academia de Artilharia, Fortificação e Desenho, tornando-se instrutor. entretanto, desistiu da carreira militar para ser professor. Posteriormente foi jornalista, diplomata e politico. Foi eleito deputado provincial (estadual) do Rio de Janeiro, em 1845, e conquistou cargos na província sob a tutelagem de Aureliano de Sousa e Oliveira Coutinho — um político veterano que exercia enorme influência sobre o jovem e inexperiente imperador D. Pedro II. Paranhos abandonou a política após a queda de Aureliano Coutinho e a subsequente dissolução do Partido Liberal.

Seu trabalho como jornalista, destacando as ameaças representadas pelos conflitos armados nas repúblicas do rio da Prata, atraiu a atenção de Honório Hermeto Carneiro Leão, Marquês do Paraná, que o convidou a trabalhar como seu secretário numa missão diplomática no Uruguai, por ocasião da Guerra do Prata. A equipe foi bem-sucedida na formação de alianças que contribuíram para a queda de Juan Manuel de Rosas, ditador argentino que declarou guerra contra o Brasil. Paranhos juntou-se, em 1853, ao Partido Conservador do Marquês do Paraná e mais tarde fez parte do seu gabinete. Rapidamente cresceu dentro do partido. Vários membros se juntaram ao partido recém-criado da Liga Progressista. Paranhos foi enviado ao Uruguai em 1864 com o objetivo de conseguir um fim diplomático para a Guerra do Uruguai. Novamente foi bem-sucedido. Foi enviado, novamente, em 1869, ao Paraguai para negociar o fim da Guerra do Paraguai. Seus esforços foram reconhecidos e Dom Pedro II lhe agraciou com o título de Visconde do Rio Branco.

Rio Branco foi nomeado Presidente do Conselho de Ministros (Primeiro-Ministro), em 1871. Foi o presidente que por mais tempo, ininterruptamente, ocupou o cargo. Seu gabinete foi o segundo de maior duração na história brasileira. Seu governo ficou marcado por uma época de prosperidade econômica e da adoção de várias reformas. A mais conhecida de suas iniciativas foi a Lei do Ventre Livre, assinada pela Princesa Isabel, em 28 de setembro de 1871, que alforriava crianças nascidas de mulheres escravizadas. Entretanto, seu governo enfrentou uma crise com a Igreja Católica que resultou na expulsão de maçons das irmandades religiosas. Rio Branco renunciou, junto com seu gabinete, em 1875 após quatro anos. Sua saúde começou a deteriorar rapidamente depois de uma viagem pela Europa, sendo diagnosticado com câncer de boca. Rio Branco morreu em 1880, aos 61 anos, sendo muito lamentado. É considerado por muitos historiadores como um dos maiores estadistas do Brasil.

José Maria da Silva Paranhos nasceu no dia 16 de março de 1819 em Salvador, Baía de Todos os Santos. Na época, o Brasil fazia parte do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves. Seus pais eram Agostinho da Silva Paranhos, de origem portuguesa, e Josefa Emerenciana de Barreiros, brasileira. Agostinho e seus dois irmãos haviam imigrado para o Brasil no início do século XIX. Ele tornou-se um rico comerciante e se casou com Josefa, pertencente a uma das mais antigas famílias da Baía de Todos os Santos, com raízes na cidade do Porto. A família de Agostinho também era daquela região. Nacionalista, permaneceu leal a Portugal em 1822, na época da Independência do Brasil, o que lhe trouxe muitos problemas, o fez passar por um ostracismo social, tivesse seus bens confiscados e perdesse seus negócios.

Paranhos teve uma infância simples e sem luxos. Mais tarde em sua vida se lembraria com carinho da Baía de Todos os Santos como a "terra natal" de sua infância. Seus pais morreram quando ainda era criança, e ele e seus irmãos mais novos foram criados por um tio materno, Eusébio Gomes Barreiros, coronel do Corpo de Engenheiros do Exército. Ele teve grande influência no crescimento de Paranhos, e anos mais tarde seu sobrinho viria sempre falar muito bem sobre o tio.

Paranhos foi enviado à capital imperial do Rio de Janeiro, em 1835, aos 14 anos para continuar seus estudos. No início do ano seguinte, ele foi aceito na Academia Real dos Guardas Marinhas. Paranhos dava aulas para seus colegas de classe a fim de ajudar no pagamento de sua educação. Ele se formou em 1841, aos 22 anos, com a patente de aspirante de Marinha. Em seguida, entrou na Real Academia de Artilharia, Fortificação e Desenho. Desenvolveu gosto pela matemática. Foi promovido a alferes (Segundo-Tenente), antes de se formar na escola militar, e se tornou professor substituto na Escola Naval. Ele se casou em 1842 com Teresa de Figueiredo Faria, cuja família também vinha da cidade do Porto, em Portugal.

Paranhos se formou na escola militar em 1843 com a patente de Alferes (Segundo-Tenente) no Corpo de Engenheiros. Entretanto, decidiu voltar para a vida civil e se dedicar à sua carreira como professor. Tornou-se um instrutor regular na Academia Naval no ano seguinte, ministrando aulas de Artilharia. Foi transferido em 1845 para o corpo de professores da Academia Militar para dar aulas de Artilharia, Fortificação e Mecânica. Além de professor, Paranhos também se tornou jornalista e começou a escrever artigos para jornais que apoiavam o Partido Liberal. Ele continuou como professor na escola militar e começou a ministrar aulas de Economia Política, Estatística e Direito Administrativo, por volta de 1863. Em 1874, tornou-se deão da recém-criada Escola de Engenharia (atual Escola Politécnica da Universidade Federal do Rio de Janeiro), um ramo civil do Programa de Engenharia da Academia Militar.

Os artigos escritos por Paranhos para os jornais liberais atraíram a atenção de membros do Partido Liberal. Ele se tornou amigo e protegido de Aureliano de Sousa e Oliveira Coutinho (posterior Visconde de Sepetiba). Na época, Aureliano Coutinho era a figura mais poderosa da política nacional. Era líder da Facção Áulica, um grupo — algumas vezes considerado uma ala do Partido Liberal — que tinha uma influência sobre o jovem e inexperiente imperador D. Pedro II. Membros da facção incluíam importantes membros da criadagem imperial e políticos notáveis.

O imperador nomeou Aureliano Coutinho como Presidente do Rio de Janeiro, em 1844 — a mais rica e importante província do Brasil na época. Com o apoio de Aureliano Coutinho e da forte base política, Paranhos foi eleito para a Assembleia Legislativa Provincial (estadual) em 1845, aos 26 anos. No ano seguinte, Aureliano Coutinho o nomeou como Secretário Provincial (estadual), depois vice-presidente e, mais tarde, presidente interino. Em 1847, foi eleito Deputado, representando o Rio de Janeiro.

A Facção Áulica perdeu seu poder em 1847, depois de passar anos dominando a política brasileira. Pedro II amadureceu e tornou-se mais astuto politicamente, afastando vários políticos. Aureliano Coutinho foi excluído da vida política, "resultado de um banimento implícito, se não proferido, imposto por D. Pedro II". O monarca deixou claro que não toleraria mais ser influenciado por facções políticas. De fevereiro de 1844 a maio de 1848, todos os quatro gabinetes que governaram o Brasil foram compostos inteiramente por membros do Partido Liberal. Divisões internas dentro do partido impediram o avanço de projetos liberais que tinham o objetivo de modernizar o país, incluindo uma reforma educacional e a construção de ferrovias e linhas de telégrafo.

O imperador convidou o rival Partido Conservador para formar um novo gabinete, logo depois da renúncia do último gabinete liberal. Paranhos perdeu sua influência com o partido fora do governo. Entretanto, o Partido Liberal não estava disposto a aceitar a perda de poder. A facção mais radical dos liberais na província de Pernambuco, conhecida como o Partido da Praia, defendeu abertamente uma revolta. Os praieiros, liberais apenas nominalmente, eram associados da Facção Áulica. A revolta proposta seria uma tentativa de reconquistar o controle do governo. Os praieiros tiveram pouco apoio e a opinião pública ficou contra. O grupo não conseguiu convencer a maioria da população que uma revolta traria benefícios. A revolta foi completamente derrotada em 2 de fevereiro de 1849 depois de atacarem Recife, capital de Pernambuco. Mesmo Paranhos tendo condenado a Revolta Praieira, ela mais as quedas de Aureliano Coutinho e do Partido Liberal deixaram quase impossível uma continuação na carreira política. Seu foco voltou novamente para seu trabalho como jornalista.

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José Maria da Silva Paranhos | World in Stories