Julio Cesar Casares (São Paulo, 23 de setembro de 1961) é um advogado, professor, radialista e ex-dirigente esportivo brasileiro. Foi o 29° presidente da história do São Paulo Futebol Clube, tendo renunciado do cargo.
Nascido na Zona Leste de São Paulo, Julio Casares é formado em Direito. Com sua formação atuou em duas emissoras de televisão, trabalhando durante treze anos no SBT e dezessete anos da Record. Na emissora da Barra Funda, foi diretor de marketing e projetos especiais. Além de ter trabalhado como radialista, foi presidente por duas vezes da Associação Brasileira de Marketing e Negócios (ABMN).
Julio Casares atuou em diversos cargos no São Paulo Futebol Clube, entre eles os de conselheiro de administração do clube e diretor de marketing durante o mandato de Juvenal Juvêncio. Chegou a se intitular como 'pitbull de Juvenal' em relação à defesa do legado do ex-mandatário. Na gestão de Carlos Miguel Aidar, assumiu a vice-presidência geral do clube.
Em dezembro de 2020, ganhou as eleições e foi eleito presidente do clube para o triênio 2021–2023, tendo como vice Harry Massis Junior. Durante o pleito, foi candidato da situação e derrotou o oposicionista Roberto Natel por um placar de 155 votos a 78 dos conselheiros do clubes em uma eleição realizada por drive-thru, devido à pandemia de COVID-19.
Para a temporada 2021, Casares foi responsável pela contratação do treinador e ex-jogador argentino Hernán Crespo. A chegada do técnico culminou com a conquista do Campeonato Paulista, após um período que o time passou por oito anos sem nenhum título e e dezesseis anos sem ganhar o Paulistão. Além da chegada de Crespo, Casares foi responsável pelo retorno do treinador Muricy Ramalho ao clube, mas desta vez para assumir o cargo de coordenador de futebol.
Após uma sequência de derrotas no Campeonato Brasileiro de Futebol de 2021 e eliminações na Copa do Brasil e na Libertadores, Casares decidiu pela demissão do técnico — o que gerou reações negativas entre a torcida. Após o desligamento de Crespo, o presidente repatriou o ídolo Rogério Ceni para o clube.
Em 19 de abril 2023, Ceni foi demitido do cargo de treinador. No dia seguinte, Casares, juntamente com a diretoria, contratou o experiente Dorival Júnior para comandar o clube. Neste ano, o time tricolor conquistou a Copa do Brasil, título inédito para o clube, que depois de 15 anos conquistou novamente um torneio nacional (a última competição nacional conquistada havia sido o Campeonato Brasileiro de 2008, ainda no mandato de Juvenal Juvêncio). Em dezembro de 2023, numa eleição sem concorrentes, Casares foi reeleito presidente do São Paulo por mais três anos.
Logo no início de 2024, o São Paulo perdeu o treinador Dorival Júnior, que aceitou um convite para assumir a Seleção Brasileira. Para o seu lugar, Casares contratou o jovem Thiago Carpini.
Julio Casares ficou conhecido por protagonizar uma das gestões mais criticadas da história do São Paulo Futebol Clube. Durante seu mandato, o clube realizou contratações caras e pouco eficazes, além de negociar jogadores da base por valores considerados abaixo do esperado. Ao longo de sua gestão, o time foi se tornando menos competitivo dentro de campo, acumulando resultados irregulares e perdendo protagonismo nas principais competições. Como consequência, a dívida do São Paulo aumentou significativamente, aproximando-se da marca de R$ 1 bilhão.
Afastamento e processo de impeachment (2025–2026)
Em 16 de janeiro de 2026, o Conselho Deliberativo do São Paulo aprovou o impeachment do presidente Júlio Casares, com 188 votos favoráveis, número superior aos 171 votos (dois terços dos conselheiros) exigidos pelo estatuto. A votação ocorreu no Morumbi em formato híbrido (presencial e on-line), após decisão judicial que garantiu a participação de mais conselheiros, em ação protocolada pela advogada e torcedora Amanda Nunes Costa, com decisão mantida pelo judiciário após recurso apresentado pelo clube a pedido de Casares. A medida foi motivada por uma série de denúncias e investigações divulgadas na imprensa nos meses anteriores, que levaram um grupo de conselheiros oposicionistas a protocolar o pedido de afastamento.
Investigação sobre camarotes e ingressos
A crise política teve como estopim a descoberta de um esquema de exploração clandestina do camarote 3A, designado como "Sala Presidência", para a comercialização irregular de ingressos em eventos de grande porte, como o show da cantora Shakira ocorrido em fevereiro de 2025.
Interceptações e áudios divulgados pela imprensa implicaram diretamente a então diretora de eventos, Mara Casares, e o diretor adjunto de base, Douglas Schwartzmann, que solicitaram licença de seus cargos após a repercussão pública de uma ação judicial de cobrança envolvendo intermediários do esquema. Em dezembro de 2025, Casares declarou publicamente ter sido surpreendido pelas notícias e prometeu rigor nas apurações internas, enquanto o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) requisitava a abertura de um inquérito policial para investigar o caso.
Suspeitas de desvios e movimentações financeiras
Paralelamente ao caso dos camarotes, a Polícia Civil instaurou inquérito para apurar possíveis desvios de recursos das contas do clube. Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificaram 35 saques em espécie que somaram R$ 11 milhões entre 2021 e 2025. Embora a defesa do clube tenha justificado os valores como provisões para despesas operacionais e de arbitragem, as autoridades também investigaram depósitos fracionados de R$ 1,5 milhão em uma conta conjunta de Júlio e Mara Casares.
Outras frentes de investigação incluíram a análise de 15 empresas abertas por um ex-diretor adjunto de futebol durante o exercício do cargo, buscando conexões com a contabilidade do clube. Na véspera da votação do impeachment, o MP-SP instaurou um inquérito civil para apurar a ocorrência de gestão temerária.
A decisão do Conselho Deliberativo resultou no afastamento imediato de Júlio Casares. Segundo o estatuto do São Paulo, o processo deveria seguir para ratificação em Assembleia Geral de sócios, a ser convocada em até 30 dias, onde o impedimento definitivo depende de maioria simples de votos. Porém, em 21 de janeiro, Casares renunciou ao cargo de presidente, encerrando o processo de impeachment. O vice-presidente Harry Massis Júnior, conselheiro vitalício e sócio do clube desde 1964, assumiu a presidência de forma interina; com a renuncia de Casares, Massis deverá completar o mandato vigente até dezembro de 2026.