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Maria Helena Vieira da Silva

Artista luso-francesa

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Maria Helena Vieira da Silva GCSE • GCL (Encarnação, Lisboa, 13 de junho de 1908 – Paris, 6 de março de 1992) foi uma pintora portuguesa, naturalizada francesa em 1956.

Nascida a 13 de junho de 1908, na freguesia da Encarnação, em Lisboa, no seio de uma família abastada de classe alta, Maria Helena Vieira da Silva era a única filha do embaixador Marcos Vieira da Silva, natural do Porto (freguesia de Cedofeita), e de Maria do Céu Silva Graça, natural de Lisboa (freguesia de São Vicente). Foi batizada na igreja de Nossa Senhora da Encarnação, ao Chiado, a 27 de novembro de 1908. Viveu os seus primeiros anos de vida na Suíça, onde o seu pai estava destacado. Com apenas três anos de idade, a 14 de fevereiro de 1911, ficou órfã de pai, passando então a viver com a sua mãe e o seu avô materno, José Joaquim da Silva Graça, republicano convicto, jornalista, fundador, proprietário e director do jornal O Século e da revista Ilustração Portuguesa, no antigo Palacete Silva Graça, situado na avenida Fontes Pereira de Melo com a rua Latino Coelho, na freguesia de São Sebastião da Pedreira, em Lisboa.

Muito cedo despertou para a música e a pintura, tendo aos onze anos de idade começado a estudar piano e canto em casa, desenho e pintura nos ateliers da pintora Emília dos Santos Braga e do pintor Armando de Lucena, e modelagem com o escultor Rogério de Andrade. Pouco depois, ingressou na Academia de Belas Artes de Lisboa e, motivada também pela escultura, frequentou a disciplina de Anatomia, leccionada pelo professor Henrique Vilhena, na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, em 1926.

Em 1928, tal como era frequente entre os artistas portugueses, com apenas dezanove anos e acompanhada pela sua mãe, Maria Helena decidiu prosseguir com os seus estudos académicos em Paris, França, onde estudou desenho com Fernand Léger e escultura com Antoine Bourdelle na Académie de La Grande Chaumière, ingressando ainda depois na Academia Escandinava, onde foi discípula do escultor Charles Despiau. Durante este período, a jovem artista portuguesa foi ainda discípula dos pintores franceses Othon Friesz e do printmaker inglês Stanley William Hayter no Atelier 17, frequentou cafés, concertos, teatros, museus e galerias, realizou a sua primeira mostra colectiva em França, na Exposition Annuelle des Beaux-Arts da Société des Artistes Français, no Grand Palais, travou amizade com o pintor pós-impressionista Pierre Bonnard, cujo trabalho veio a influenciar a sua própria obra, os pintores modernistas portugueses Eduardo Viana e Milly Possoz. Após concluir os seus estudos, trabalhou com os pintores e escultores Henri de Waroquier (1881-1970) e Charles Dufresne, passando a focar-se apenas na pintura, abandonando assim a escultura.

A 22 de fevereiro de 1930 casou-se com o pintor húngaro Árpád Szenes, passando a residir na Villa des Camélias, situada na Boulevard Saint-Jacques, onde tinham os seus ateliers. Devido ao facto de seu marido ser de origem judaica e de Maria Helena Vieira da Silva ter perdido a nacionalidade portuguesa ao se casar fora do país com um estrangeiro, dada à complexa situação política na Hungria, o casal decidiu oficialmente passar à situação de apátridas residentes em França, viajando frequentemente para Lisboa a fim de frequentar algumas exposições e visitar amigos e familiares.

Exposições e Carreira Artística

No início da década de 1930, Maria Helena Vieira da Silva viajou para Itália, onde se inspirou nas obras da escola sienesa, fez ilustrações para livros infantis, participou no Salon d’Automne e no Salon des Surindépendants (1931) em Paris, ingressou juntamente com Árpád nas aulas do pintor francês Roger Bissière da Académie Ranson, conheceu a galerista Jeanne Bucher, que passou a representar o seu trabalho artístico, vendeu o seu primeiro quadro para o Museum of Modern Art de Nova Iorque e aventurou-se no mundo da literatura infantil ao criar a história "Kô et Kô, les deux esquimaux" (1933), escrita em parceria com Pierre Guéguen e ilustrada pela própria, sendo ainda organizada a primeira exposição individual da artista em Paris, com os guaches originais do livro, pela Galeria Jeanne Bucher (1933). Durante esse período, outros dois eventos de grande relevo na sua carreira foram a sua participação no 1º Salão dos Independentes (1930) na Sociedade Nacional de Belas Artes em Lisboa, que contou com alguns dos nomes mais emblemáticos do panorama artístico português, como Fernando Pessoa, Camilo Pessanha, Mário Eloy, Sarah Afonso, Abel Manta, Dordio Gomes, Jorge Barradas, Lino António, Mily Possoz, Carlos Botelho, Bernardo Marques, José Tagarro, Francisco Franco, Diogo de Macedo, Canto da Maia, Salvador Barata Feyo, Leopoldo de Almeida, António Duarte, Ruy Roque Gameiro, Cotinelli Telmo ou Mário Novais, entre muitos outros, sendo esta a sua primeira exposição colectiva em Portugal, e ainda a realização da sua primeira exposição individual em Lisboa, na Galeria UP (1935), organizada pelo escritor, pintor, actor, encenador e coleccionador de arte António Pedro.

Durante a segunda metade da década de 1930, com o desenvolvimento da extrema direita na Europa, Maria Helena Vieira da Silva e o seu marido juntaram-se ao grupo Amis du Monde (1935), uma associação criada por vários artistas e intelectuais de diferentes nacionalidades a residir em Paris, a fim de discutirem formas de resistência contra os movimentos fascistas. Apesar do casal ter actuado de forma fervorosa e empenhada, nesse mesmo ano, por se sentirem inseguros com o crescimento de ataques anti-semitas, ainda que Árpád se tenha convertido ao catolicismo e de ambos terem contraído um casamento religioso, decidiram partir para Lisboa, onde passaram a residir temporariamente, expondo no seu novo atelier as suas pinturas abstractas. Um ano depois, em outubro de 1936, o casal regressou a Paris após receberem algumas propostas para exibirem os seus trabalhos, instalando-se no número 51 da Boulevard Saint-Jacques. Pouco depois, a artista de origem portuguesa começou a colaborar novamente com Pierre Guéguen na elaboração de ilustrações para "Madame la Grammaire" (1936), publicado no jornal Paris-Soir, expôs de novo na Galeria Jeanne Bucher e conheceu o escultor catalão Apel·les Fenosa, que a sensibilizou para a Guerra Civil Espanhola, sendo posteriormente organizada por Jeanne Bucher uma exposição de beneficência, para as vítimas da guerra espanhola e os seus exilados em França, com obras de Árpád Szenes, Étienne Hajdu e Maria Helena Vieira da Silva (1939).

Com o despoletar da Segunda Guerra Mundial, o casal fugiu novamente para Portugal, onde procuraram obter a nacionalidade portuguesa, contudo estando o país sob o regime do Estado Novo e sendo ambos apátridas e Árpád de origem judaica, apesar de convertido, após um ano de espera, o seu pedido foi-lhes negado. Durante a sua curta estadia, a artista não deixou porém de continuar a trabalhar e participou num concurso de montras, realizado no âmbito da Exposição do Mundo Português, que também lhe encomendou um quadro, sendo no entanto a encomenda cancelada quando o seu pedido de cidadania foi recusado.

Sendo obrigados a sair da Europa, em 1940, Maria Helena Vieira da Silva e Árpád Szenes instalaram-se, inicialmente, no Hotel Internacional, do Rio de Janeiro, Brasil, onde receberam passaportes diplomáticos, emitidos pela Sociedade das Nações, e conviveram com importantes artistas locais, como Carlos Scliar, Djanira, Murilo Mendes, Carlos Drummond de Andrade, Maria da Saudade Cortesão e Cecília Meireles, para além de terem exercido uma grande influência na arte brasileira, especialmente entre o movimento dos modernistas brasileiros. Durante esses anos, Maria Helena Vieira da Silva começou a reflectir nas suas obras sentimentos como a tristeza, a dor ou a saudade, expôs a título individual no Museu Nacional de Belas Artes (1942) e na Galeria Askanasy do Rio de Janeiro (1944), e a titulo colectivo no 48º Salão Nacional de Belas Artes (1942), na Exhibition of Modern Brasilian Painting no British Council da Escócia no Rio de Janeiro (1945), no Instituto de Arquitetos do Brasil (1946) e no Palácio Municipal de Belo Horizonte com o seu marido (1946). Realizou ainda trabalhos de ilustração para diversos periódicos e revistas, como a "Novela Gótica" do semanário O Cruzeiro (1945) ou vários artigos do Caderno da Juventude (1946), decorou o refeitório da Escola Nacional de Agronomia do Rio de Janeiro com um painel de azulejos, a que chamou "Kilomètre 44", e, finalmente com o fim da guerra na Europa, através da galerista Jeanne Bucher, conseguiu participar no Salon des Réalités Nouvelles em Paris (1945) e realizou a sua primeira exposição individual em Nova Iorque na Galeria Marian Willard (1946). Durante esse mesmo período, o casal realizou inúmeras viagens pela América Latina a fim de participar em diversas exposições.

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