O meio ambiente, também chamado de ambiente natural ou mundo natural, compreende todos os elementos bióticos e abióticos que ocorrem na natureza, ou seja, que não são artificiais. O termo costuma ser aplicado à Terra ou a partes do planeta. Abrange as interações entre todas as espécies vivas, o clima, o tempo e os recursos naturais que afetam a sobrevivência humana e a atividade econômica. Seus componentes podem ser divididos em dois grupos:
Unidades ecológicas completas que funcionam como sistemas naturais sem intervenção humana em grande escala. Compreendem toda a vegetação, os microrganismos, o solo, as rochas, os planaltos, as montanhas, a atmosfera e os fenômenos naturais que ocorrem em seus limites, com suas características próprias.
Recursos naturais e fenômenos físicos universais que não têm limites bem definidos, como o ar, a água e o clima, além da energia, da radiação, da carga elétrica e do magnetismo que não resultam de ações humanas.
O ambiente construído compreende os espaços em que os seres humanos transformaram profundamente a paisagem, como as áreas urbanas e as terras convertidas para a agricultura. Mesmo intervenções que parecem menos extremas, como construir uma cabana de barro ou instalar um sistema fotovoltaico no deserto, tornam artificial o ambiente modificado. Muitos animais também constroem estruturas que melhoram o ambiente em que vivem. Como essas construções não são humanas, as barragens de castores e os cupinzeiros são considerados naturais.
Não há ambientes absolutamente naturais na Terra. O grau de naturalidade costuma variar de forma contínua, de 100% natural em um extremo a 0% no outro. As extensas alterações ambientais provocadas pela humanidade no Antropoceno afetaram profundamente todos os ambientes naturais. Entre elas estão as mudanças climáticas, a perda de biodiversidade e a poluição por plásticos e outros produtos químicos no ar e na água. Os componentes de um mesmo ambiente também podem ter graus diferentes de naturalidade. Em uma área agrícola, por exemplo, a composição mineralógica do solo é bastante semelhante à de um solo florestal sem perturbações, mas sua estrutura é muito diferente.
Definições no Brasil e em Portugal
No Brasil, a Política Nacional do Meio Ambiente, instituída pela Lei n.º 6.938, de 31 de agosto de 1981, define meio ambiente como "o conjunto de condições, leis, influências e interações de ordem física, química e biológica, que permite, abriga e rege a vida em todas as suas formas". A lei foi regulamentada pelo Decreto n.º 99.274, de 6 de junho de 1990.
Em Portugal, a Lei de Bases do Ambiente de 1987 definiu ambiente como o conjunto dos sistemas físicos, químicos e biológicos, de suas relações e dos fatores econômicos, sociais e culturais com efeitos diretos ou indiretos, imediatos ou posteriores, sobre os seres vivos e a qualidade de vida humana. Essa lei foi revogada pela Lei n.º 19/2014, de 14 de abril.
As constituições vigentes de ambos os países reconhecem expressamente o direito a um ambiente ecologicamente equilibrado.
As ciências da Terra geralmente distinguem quatro esferas, a litosfera, a hidrosfera, a atmosfera e a biosfera, que correspondem, respectivamente, às rochas, à água, ao ar e à vida. Alguns cientistas também distinguem a criosfera, correspondente ao gelo, como uma parte da hidrosfera, e a pedosfera, correspondente ao solo, como uma esfera ativa em que se misturam componentes das demais. Ciências da Terra, também chamadas de geociências ou ciências geográficas, é o nome dado ao conjunto das ciências que estudam o planeta Terra. Suas quatro disciplinas principais são a geografia, a geologia, a geofísica e a geodésia. Elas usam a física, a química, a biologia, a cronologia e a matemática para compreender, de forma qualitativa e quantitativa, as principais áreas ou esferas da Terra.
Para um organismo, o ambiente compreende as condições em que vive e os seres vivos com os quais interage. Os fatores bióticos abrangem organismos da mesma espécie e de outras espécies, com relações como competição, predação e parasitismo. Os fatores abióticos são as condições não vivas, como temperatura, disponibilidade de água, salinidade, pH e luz. Cada organismo tolera certos intervalos dessas condições, e essa tolerância varia entre as espécies.
A crosta terrestre é a camada sólida mais externa do planeta e difere química, física e mecanicamente do manto abaixo dela. A litosfera compreende a crosta e a parte mais externa e rígida do manto. Grande parte da crosta se formou por processos ígneos, nos quais o magma esfria e se solidifica em rocha. O manto sob a litosfera recebe calor do decaimento de elementos radioativos. Embora seja sólido, seu material se deforma e flui lentamente por convecção. Esse movimento desloca as placas litosféricas e dá origem à tectônica de placas. Os vulcões resultam principalmente da fusão de material da crosta em subducção ou da ascensão de material do manto nas dorsais oceânicas e nas plumas mantélicas.
A maior parte da água se encontra em corpos de água naturais de diferentes tipos.
Um oceano é uma grande massa de água salgada e um componente da hidrosfera. Cerca de 71% da superfície terrestre, uma área de aproximadamente 362 milhões de quilômetros quadrados, é coberta pelo oceano global, uma massa contínua de água que costuma ser dividida em oceanos e mares menores. Mais da metade dessa área tem profundidade superior a 3.000 metros. A salinidade oceânica média é de cerca de 35 partes por mil, ou 3,5%, e quase toda a água do mar tem salinidade entre 30 e 38 partes por mil. Embora recebam nomes distintos, os oceanos formam uma única massa interligada de água salgada, chamada de oceano mundial ou global. Os fundos oceânicos profundos ocupam mais da metade da superfície terrestre e estão entre os ambientes naturais menos modificados. Os continentes, os arquipélagos e outros critérios delimitam parcialmente as divisões oceânicas. Em ordem decrescente de tamanho, são o Pacífico, o Atlântico, o Índico, o Antártico e o Ártico.
Um rio é um curso de água natural, geralmente de água doce, que flui em direção a um oceano, lago, mar ou outro rio. Alguns rios se infiltram no solo e secam completamente antes de alcançar outro corpo de água.
A água de um rio costuma correr por um canal formado pelo leito entre as margens. Rios maiores muitas vezes têm uma planície de inundação mais ampla, formada pelas águas que transbordam do canal. Essas planícies podem ser muito largas em relação ao canal do rio. Os rios fazem parte do ciclo hidrológico. Suas águas geralmente vêm da precipitação, por meio do escoamento superficial, da recarga de aquíferos, das nascentes e da liberação de água armazenada em geleiras e mantos de neve.
Rios pequenos recebem nomes como córrego, riacho e ribeirão. Sua corrente fica confinada ao leito e às margens. Os córregos também formam corredores ecológicos entre habitats fragmentados, favorecendo a conservação da biodiversidade. O estudo dos córregos e dos cursos de água em geral é chamado de hidrologia de superfície.
Um lago, do latim lacus, é uma massa de água que ocupa o fundo de uma depressão do relevo. Uma massa de água é chamada de lago quando fica no interior de um continente, não faz parte de um oceano e é maior e mais profunda que uma lagoa.