Nature é uma revista científica britânica de circulação internacional, publicada semanalmente, que apresenta pesquisas revisadas por pares nas ciências naturais, como biologia, física, química, ciências da Terra e áreas interdisciplinares afins. Tem redações em Londres, nos Estados Unidos, na Europa continental e na Ásia e pertence à editora científica internacional Springer Nature. Na edição de 2022 do Journal Citation Reports, a Nature tinha um dos maiores fatores de impacto entre as revistas científicas multidisciplinares, com 50,5, resultado da frequência com que seus artigos eram citados na literatura científica. Alan Fersht a incluiu entre as revistas de maior peso na ciência mundial. Em 2007, a Nature recebeu, junto com a Science, o Prêmio Príncipe das Astúrias de Comunicação e Humanidades. Em 2012, a revista informava ter cerca de três milhões de leitores únicos por mês na internet.
Fundada no outono de 1869, a Nature começou a circular por iniciativa de Norman Lockyer e Alexander MacMillan [en], como um espaço público de discussão sobre novidades científicas. Em meados do século XX, ampliou sua cobertura e passou a dedicar mais atenção ao jornalismo científico e à explicação de pesquisas. Entre o fim da década de 1980 e o início da seguinte, abriu redações fora da Grã-Bretanha e criou dez publicações especializadas complementares, como a Nature Materials [en]. Desde o fim dos anos 2000, publica semanalmente editoriais e colunas sobre atualidades, além de declarações de apoio a candidatos em eleições. Os pesquisadores são os principais autores da revista desde sua fundação, e a edição dos textos busca sobretudo tornar a linguagem técnica compreensível.
As pesquisas publicadas na Nature têm, em sua maioria, o formato de artigos ou cartas, com poucas alterações editoriais. São textos densos e muito técnicos que, devido aos limites de extensão, costumam condensar trabalhos mais longos. Menos de 8% dos manuscritos enviados são aceitos para publicação. Seus artigos científicos recebem muitas citações e frequentemente atraem atenção internacional. A revista também se envolveu em disputas e controvérsias acadêmicas sobre retratações, revisão por pares e critérios metodológicos.
A Nature também publica comentários, análises, notícias e reportagens sobre financiamento de pesquisas, políticas científicas, questões éticas na ciência e descobertas científicas, além de seções de livros, artes e contos de ficção científica. Novidades e avanços de qualquer área científica ou tecnológica podem receber atenção nos textos da seção "Spotlight". Escritos em formato de notícia ou reportagem, esses textos não recebem o mesmo reconhecimento que os artigos de pesquisa. Parte deles é financiada por parceiros ou patrocinadores.
Os avanços da ciência e da matemática no século XIX eram publicados em periódicos escritos sobretudo em alemão e francês, além do inglês. A Grã-Bretanha passou por profundas mudanças tecnológicas e industriais, sobretudo na segunda metade do século. Entre as revistas científicas mais respeitadas estavam as publicações com revisão por pares da Royal Society, que haviam publicado trabalhos de Isaac Newton, Michael Faraday e Charles Darwin. O número de periódicos de divulgação científica dobrou entre as décadas de 1850 e 1860. Seus editores pretendiam que fossem "órgãos da ciência", um meio de aproximar o público do mundo científico.
A Nature, fundada em 1869, teve antecessoras na Grã-Bretanha. Uma delas foi a Recreative Science: A Record and Remembrancer of Intellectual Observation, criada em 1859 como uma revista de história natural. A publicação passou a dar mais espaço à observação de fenômenos físicos e a assuntos técnicos, reduzindo a cobertura de história natural. Seu título mudou para Intellectual Observer: A Review of Natural History, Microscopic Research, and Recreative Science e depois para Student and Intellectual Observer of Science, Literature, and Art. A Recreative Science havia procurado ampliar sua cobertura das ciências físicas, com assuntos como astronomia e arqueologia. A Intellectual Observer abriu espaço também para a literatura e as artes. A Popular Science Review, criada em 1862, tinha uma proposta semelhante à da Recreative Science. Cobria diferentes áreas da ciência em seções intituladas "Scientific Summary" e "Quarterly Retrospect", com resenhas de livros e comentários sobre os trabalhos e as publicações científicas mais recentes. Outros dois periódicos ingleses anteriores à Nature foram o Quarterly Journal of Science [en], fundado em 1864, e o Scientific Opinion, de 1868. O The Reader [en], criado em 1863, era o que mais se aproximava da Nature em sua edição e formato. Como a Popular Science Review, reunia ciência, literatura e arte para alcançar leitores de fora da comunidade científica.
Todas essas revistas encerraram suas atividades. A Popular Science Review foi a que durou mais, com vinte anos de publicação até 1881. A antiga Recreative Science, já com o título Student and Intellectual Observer, deixou de circular em 1871. O Quarterly Journal passou por mudanças editoriais antes de encerrar sua publicação, em 1885. O The Reader terminou em 1867. Já o Scientific Opinion durou apenas dois anos, até junho de 1870.
Pouco depois do encerramento do The Reader, Norman Lockyer, um de seus antigos editores, decidiu criar uma revista científica chamada Nature. O nome veio de um verso de William Wordsworth, "Ao solo firme da natureza se confia a mente que constrói para a eternidade". Seu primeiro proprietário e editor foi Alexander Macmillan [en]. A proposta se aproximava da de suas antecessoras, ao buscar "oferecer aos leitores instruídos um espaço acessível para ler sobre os avanços do conhecimento científico". Para Janet Browne, "muito mais do que qualquer outra revista científica da época, a Nature foi concebida, nasceu e cresceu para alimentar polêmicas". Muitas das primeiras edições traziam artigos de integrantes do X Club, um grupo de cientistas com ideias científicas liberais, progressistas e um tanto controversas para a época. Criado por Thomas Henry Huxley, o grupo reunia Joseph Dalton Hooker, Herbert Spencer e John Tyndall, além de outros cinco cientistas e matemáticos. Todos defendiam com entusiasmo a teoria da evolução de Darwin por descendência comum, que recebeu fortes críticas de grupos mais conservadores de cientistas na segunda metade do século XIX.
É possível que essa abertura científica tenha ajudado a Nature a ter êxito por mais tempo do que suas antecessoras. John Maddox, editor de 1966 a 1973 e de 1980 a 1995, propôs outra explicação em um jantar comemorativo do centenário da revista. Para ele, talvez fosse o jornalismo que atraísse os leitores. "O jornalismo", afirmou, "é uma maneira de criar um sentimento de comunidade entre pessoas que, de outro modo, estariam isoladas umas das outras. Foi isso que a revista de Lockyer fez desde o início." Maddox também atribuiu ao apoio financeiro da família Macmillan, nos primeiros anos, a liberdade que a revista teve para crescer e se desenvolver, maior do que a de publicações científicas anteriores.
Norman Lockyer, fundador da Nature, era professor do Imperial College London. Em 1919, Richard Gregory [en] o sucedeu como editor. Gregory ampliou a presença da revista entre os cientistas de outros países. Seu obituário na Royal Society afirmou que "Gregory sempre se interessou muito pelos contatos internacionais da ciência e, nas páginas da Nature, sempre reservou amplo espaço às atividades das uniões científicas internacionais". Entre 1945 e 1973, a direção editorial mudou três vezes. Em 1945, passou a A. J. V. Gale e L. J. F. Brimble [en], que se tornou o único editor em 1958. John Maddox assumiu em 1965, seguido por David Davies [en] em 1973. Maddox voltou ao cargo em 1980 e permaneceu até 1995. Philip Campbell [en] foi então editor-chefe das publicações da Nature até 2018, quando Magdalena Skipper assumiu a direção da revista.
Em 1970, a Nature abriu sua redação em Washington. Outras foram abertas em Nova York, em 1985, Tóquio e Munique, em 1987, Paris, em 1989, São Francisco, em 2001, Boston, em 2004, e Hong Kong, em 2005. Em 1971, sob a direção de John Maddox, a revista foi dividida em Nature Physical Sciences, publicada às segundas-feiras, Nature New Biology, às quartas-feiras, e Nature, às sextas-feiras. Em 1974, depois da saída de Maddox, as três foram reunidas na Nature. A partir dos anos 1980, a editora lançou mais de dez revistas. Essas publicações passaram a compor a Nature Research, criada em 1999 com o nome Nature Publishing Group, que reunia a Nature, os periódicos da Nature Research [en], as revistas especializadas da Stockton Press e a Macmillan Reference, rebatizada de NPG Reference. Em 1996, a Nature criou seu site. Em 1999, a Nature Publishing Group iniciou a coleção de revistas Nature Reviews. Parte dos textos do site pode ser lida gratuitamente, enquanto outros exigem pagamento pelo acesso. Em 2012, a Nature informava ter cerca de três milhões de leitores únicos por mês na internet.