Paulo Leminski Filho (Curitiba, 24 de agosto de 1944 — Curitiba, 7 de junho de 1989) foi um escritor, poeta, músico, crítico literário, jornalista, publicitário, tradutor e professor brasileiro. Tinha uma poesia marcante, pois inventou um jeito próprio de escrever, com trocadilhos, brincadeiras com ditados populares e influência do haicai, além de usar gírias e palavrões. Foi influenciado pela cultura japonesa, principalmente pela poesia curta e objetiva dos haicais de Matsuo Bashō, autor sobre o qual Leminski escreveu uma biografia. Além da influência japonesa em sua poesia, Leminski também era faixa preta de judô.
Paulo Leminski Filho nasceu em 24 de agosto de 1944, em Curitiba. Filho de Paulo Leminski e de Áurea Pereira Mendes, seu pai era de origem polonesa e sua mãe, filha de pai português e mãe brasileira de origem negra e indígena.
Leminski estudou no Colégio Estadual Dr. Caetano Munhoz da Rocha e no Colégio Paranaense (Marista). Em 1958, aos treze anos, foi para o Mosteiro de São Bento em São Paulo e lá ficou um pouco mais de um ano. Lá adquiriu conhecimentos de latim, teologia, filosofia e literatura clássica. Leminski queria ser monge, contrariando o desejo de seu pai, que queria que ele seguisse sua carreira militar. Leminski abandonou suas vocações religiosas posteriormente. Em Curitiba, voltou ao Colégio Paranaense e depois estudou no Colégio Estadual do Paraná. Continuou consumindo literatura, principalmente as literaturas grega, latina, francesa e até hebraica, pelas Sagradas Escrituras.
Leminski casou-se em 9 de fevereiro de 1963 com a desenhista e artista plástica Nevair "Neiva" Maria de Sousa, de quem veio a se separar em 1968, embora só tenham se divorciado oficialmente em 1976. Ingressou também nas faculdades de Direito e de Letras, mas não as concluiu. Ainda em 1963, viajou para Belo Horizonte, participando da Semana Nacional de Poesia de Vanguarda, onde conheceu Haroldo de Campos, amigo e parceiro em várias obras, Augusto de Campos e Décio Pignatari, criadores do movimento poesia concreta.
Estreou em 1964 com quatro poemas na revista Invenção, dirigida por Décio Pignatari, em São Paulo, porta-voz da poesia concreta paulista. Em 1965, tornou-se professor de literatura, história e de redação em cursos pré-vestibulares, após ter abandonado a faculdade. Foi em uma dessas aulas que teve a ideia de escrever seu primeiro romance, Catatau. Em 1966, ficou em primeiro lugar no II Concurso Popular de Poesia Moderna promovido pelo jornal O Estado do Paraná, desembolsando a quantia de 80 mil cruzeiros. Durante essa época começou a praticar judô, conseguindo a faixa preta 4 anos depois. Além de praticante, Leminski também foi professor de judô. Em 1967, fundou o Grupo Áporo, que em seu manifesto propunha-se a combater o "provincianismo cultural de Curitiba". No mesmo ano, começa a escrever o que se tornaria Catatau. Em 1968, participou do I Concurso Nacional de Contos do Paraná, com um conto intitulado Descartes com Lentes. Finalista do concurso, não venceu, o motivando a expandir o texto, que acabaria se tornando Catatau.
Uniu-se em 1968 à também poeta Alice Ruiz. Leminski e Alice foram morar em uma espécie de comunidade hippie. Ficaram lá por mais de um ano e só saíram com a chegada do primeiro de seus três filhos, Miguel Angelo. De 1969 a 1970, decidiu morar no Rio de Janeiro, trabalhando como copidesque, tradutor e escritor para jornais, como O Globo e O Pasquim, na agência de notícias Reuters e em revistas, retornando a Curitiba para se tornar redator publicitário.
Na década de 1970, teve poemas e textos publicados em diversas revistas, como Qorpo Estranho, Muda e Raposa. Em 1975, publicou o seu ousado Catatau, que chamou de "romance-ideia" e que demorou 8 anos para ser concluído. Em 1976, publicou Quarenta Clics em Curitiba em conjunto com Jack Pires. Sendo uma espécie de fotolivro, possui 40 poemas escritos por Leminski e 40 fotos em preto e branco tiradas por Pires. No final da década de 1970, na editora Grafipar de Curitiba, o casal Paulo Leminski e Alice Ruiz roteirizou histórias em quadrinhos eróticas, desenhadas por artistas como Cláudio Seto, Julio Shimamoto, Flavio Colin e Itamar Gonçalves.
Em 1980, com a iniciativa de amigos, publicou Não Fosse Isso e Era Menos, Não Fosse Tanto e Era Quase. No mesmo ano, publicou Polonaises. Todos os livros publicados por Leminski até esse ponto haviam sido publicados de forma independente. Foram esses dois livros, em conjunto com outras poesias escritas mais tarde, que formaram a obra Caprichos e Relaxos, publicada em 1983 pela editora Brasiliense por iniciativa do editor Luiz Schwarcz.
Paulo Leminski foi um estudioso da língua e cultura japonesas (como o zen-budismo), e, em 1983, publicou uma biografia de Matsuo Bashō (Matsuó Bashô: A Lágrima do Peixe), autor que o influenciou em seus haicais e do qual traduziu vários textos. Além da biografia de Bashō, escreveu também durante a década de 1980 biografias de Cruz e Sousa (Cruz e Sousa: O Negro Branco), Leon Trótski (Leon Trotski: A Paixão Segundo a Revolução) e Jesus Cristo (Jesus: a.C.), todos personagens que influenciaram Leminski de certa maneira. Das quatro biografias, duas são baseadas em traduções feitas por Leminski: Jesus possui várias traduções dos evangelhos e Matsuó Bashô possui mais de 30 traduções de seus haicais, além de trechos de seus diários e outros breves poemas de autores orientais e ocidentais. Publicadas individualmente, as biografias posteriormente foram publicadas em volume único, intitulado Vida.
Em 1984, publicou seu segundo romance, Agora É que São Elas. Entre 1983 e 1986, foi tradutor de Walt Whitman, John Fante, Lawrence Ferlinghetti, James Joyce, Alfred Jarry, Petrônio, Yukio Mishima, John Lennon e Samuel Beckett. Leminski falava 6 línguas estrangeiras: inglês, francês, latim, grego, japonês e espanhol. Quase metade das obras publicadas de Leminski são trabalhos de tradução.
Em 1985, publicou Hai Tropikai, em parceria com Alice Ruiz. Em 1987, publicou sua última biografia, Leon Trotski, seu último trabalho de tradução, Fogo e Água na Terra dos Deuses, e a coleção de ensaios Anseios Crípticos. Logo depois, publicou seu último trabalho poético em vida, Distraídos Venceremos. Ainda publicou o livro infantojuvenil Guerra Dentro da Gente. Entre 1988 e 1989, em São Paulo, foi colunista do Jornal de Vanguarda, que era apresentado por Doris Giesse, na Rede Bandeirantes. Em abril de 1989, de volta a Curitiba, estreou como colunista na Folha de Londrina.
Morreu em 7 de junho de 1989, em consequência do agravamento de uma cirrose hepática que o acompanhou por vários anos.
No ano de sua morte, foram publicadas a segunda edição de Catatau e o livro de poemas de literatura juvenil A Lua no Cinema. Em 1991, foi publicada postumamente a obra La Vie en Close, com poemas inéditos. Outros livros de poesia publicados postumamente com conteúdo inédito incluem Winterverno em conjunto com João Suplicy, publicado em 1994, Metaformose: Uma Viagem pelo Imaginário Grego, publicado em 1994 e que foi agraciado com o Prêmio Jabuti de Poesia de 1995 (3° lugar), e O Ex-Estranho, publicado em 1996 e organizado por Alice Ruiz e Aurea Leminski. Em 2004, foi publicado Gozo Fabuloso, livro de contos e crônicas.
Em 2013, a compilação da poesia completa Toda Poesia, organizada por Alice Ruiz, que acompanhou toda a produção de sua obra, foi um fenômeno de vendas da editora Companhia das Letras e fixou a importância do poeta na literatura brasileira. Em 2022, o livro chegou ao mercado norte-americano com a tradução do professor emérito do Departamento de Estudos em Espanhol e Português da Universidade da Flórida, Charles A. Perrone, em parceria com o Doutor em Estudos Literários da Universidade Federal do Paraná, Ivan Justen Santana.
De 1968 a 1987 viveu com a poeta Alice Ruiz, que organizou sua obra após sua morte. Com ela teve três filhos: Miguel Angelo Leminski (1969–1979), que morreu com dez anos de idade, vítima de um linfoma, Aurea Alice Leminski (1971) e Estrela Ruiz Leminski (1981). A caçula lançou o álbum Leminskanções em 2014, gravando 25 composições de Paulo, um songbook em 2015, registrando cerca de 109 composições de seu pai, e o álbum Completamente Poeta em 2026, gravando mais 11 composições de Leminski. Gilberto Gil compôs a canção Estrela dedicada à filha do poeta.