Roberto Tibiriçá Passos (São Paulo, 5 de janeiro de 1954 – São Paulo, 3 de outubro de 2026) foi um maestro brasileiro. Iniciou a carreira como pianista e estudou regência com Eleazar de Carvalho, de quem foi assistente por quase dezoito anos. Dirigiu a Orquestra Sinfônica Brasileira, a Orquestra Petrobras Sinfônica, a Sinfônica Heliópolis, a Orquestra Sinfônica de Minas Gerais e a Orquestra Sinfônica do Paraná.
Tibiriçá ocupou a cadeira nº 5 da Academia Brasileira de Música a partir de 2003 e tornou-se membro honorário da Academia Nacional de Música em 2018. Foi diretor musical e regente titular da Orquestra Sinfônica do Paraná de 2022 até sua morte.
Formação e primeiros trabalhos
Tibiriçá começou a estudar piano aos oito anos. Teve aulas com Dinorá de Carvalho, Antonio Bezzan e Gilberto Tinetti, além de receber orientações de Guiomar Novaes. O interesse pela regência levou-o ao Festival de Inverno de Campos do Jordão, onde trabalhou como pianista nos ensaios da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo. Lá conheceu Eleazar de Carvalho, com quem iniciou sua formação como maestro. Venceu duas edições do Concurso para Jovens Regentes da Osesp e passou a atuar como assistente e principal regente convidado da orquestra. Uma carta de recomendação de Eleazar permitiu que estudasse com Lukas Foss em Nova Iorque.
Na década de 1980, trabalhou durante um ano como regente assistente do Teatro Nacional de São Carlos, em Lisboa. Seu repertório no teatro concentrou-se em óperas. Antes disso, em 1974, havia iniciado o trabalho como diretor artístico de gravadoras. Na RGE/Fermata, coordenou gravações de música de concerto, entre elas o último disco de Guiomar Novaes, dedicado a compositores brasileiros. Também dirigiu a gravadora Copacabana, onde produziu o último disco de Magda Tagliaferro.
Em 1994, Tibiriçá entrou na Orquestra Sinfônica Brasileira como diretor adjunto. No ano seguinte, tornou-se diretor artístico e regente titular. Durante sua gestão, a orquestra apresentou no Brasil as óperas The Rape of Lucretia e A Midsummer Night's Dream, de Benjamin Britten. Em 1996, regeu a Segunda Sinfonia de Gustav Mahler na Enseada de Botafogo, dentro do Projeto Aquarius.
De 2000 a 2003, foi diretor artístico e regente titular da Orquestra Sinfônica Petrobras Pró-Música, que mais tarde adotou o nome Orquestra Petrobras Sinfônica. Com o conjunto, gravou em 2002 o Concerto para piano em formas brasileiras, de Hekel Tavares, com Arnaldo Cohen como solista, e os Choros nº 6, de Heitor Villa-Lobos. Também organizou ciclos de concertos e concursos destinados a jovens solistas, regentes e compositores.
Tibiriçá voltou a São Paulo no fim de 2003. Em 2005, assumiu a direção artística do Instituto Baccarelli e da Orquestra Sinfônica Heliópolis. Permaneceu no projeto até 2011 e participou da turnê europeia feita pela orquestra em 2010, com o violinista Shlomo Mintz como solista. Entre 2010 e 2013, foi regente titular da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais, no Palácio das Artes, onde dirigiu montagens de Tosca e La bohème, de Giacomo Puccini.
No início da década de 2020, voltou a reger a Osesp. Dirigiu a estreia mundial da ópera Cartas portuguesas, de João Guilherme Ripper, e gravou obras de Camargo Guarnieri para o selo Naxos, com os músicos Ovanir Buosi, Horácio Schaefer e Matias de Oliveira Pinto.
Em 2022, foi escolhido diretor musical e regente titular da Orquestra Sinfônica do Paraná. Criou uma série de concertos no Museu Oscar Niemeyer e manteve a temporada da orquestra no Teatro Guaíra. Em maio de 2025, regeu a Segunda Sinfonia de Mahler no concerto que comemorou os quarenta anos do conjunto. Também conduziu a orquestra no Festival de Inverno de Campos do Jordão, na Sala São Paulo, e em sua primeira apresentação na Sala Minas Gerais.
Em 2008, Tibiriçá publicou O regente sem orquestra: exercícios básicos, intermediários e avançados para a formação do regente, escrito com Arthur Rinaldi, Beatriz De Luca, Daniel Nery e Luciano Vazzoler. O livro recebeu uma nova edição em 2021.
Além dos discos feitos com a Orquestra Petrobras Sinfônica e a Osesp, Tibiriçá regeu uma gravação de Pedro e o Lobo, de Sergei Prokofiev, narrada por Rita Lee. Trabalhou também com solistas como Martha Argerich, Nelson Freire, Joshua Bell, Antônio Meneses e Arnaldo Cohen.
Em 1995, Tibiriçá recebeu o título de Músico do Ano da crítica do Rio de Janeiro e o Prêmio Estácio de Sá por seu trabalho com a Orquestra Sinfônica Brasileira. Ganhou o Prêmio Carlos Gomes de Melhor Regente Sinfônico em 2010 e 2011. Também recebeu o Prêmio APCA de Melhor Regente e a Grande Medalha Presidente Juscelino Kubitschek.
Em outubro de 2010, foi admitido na Ordem do Ipiranga no grau de comendador. Em 26 de março de 2003, foi eleito para a cadeira nº 5 da Academia Brasileira de Música, cujo patrono é José Maurício Nunes Garcia. Tomou posse como membro honorário da Academia Nacional de Música em 11 de maio de 2018. A Universidade Federal de Minas Gerais concedeu-lhe o título de Notório Saber na área de música, aprovado pelo Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão da universidade.
Tibiriçá tratava um câncer havia cerca de dois anos. Mesmo com a saúde debilitada, regeu a Orquestra Sinfônica do Paraná no Teatro Guaíra em 12 de julho de 2026 e viajou com o grupo a Londrina quatro dias depois. O concerto de 16 de julho, realizado durante o Festival Internacional de Música de Londrina, foi sua última apresentação pública.
O maestro morreu na madrugada de 3 de outubro de 2026, aos 72 anos. Ele estava internado em São Paulo.
Eleazar de Carvalho, professor de regência de Tibiriçá
Orquestra Sinfônica Brasileira, conjunto que dirigiu na década de 1990