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Sedentarismo

Falta de atividades físicas

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Sedentarismo é um estilo de vida caracterizado por baixo gasto de energia, com longos períodos sentado ou deitado e pouca atividade física. Ao lado do tabagismo, do uso abusivo de álcool, da alimentação inadequada e da poluição do ar, é um dos principais fatores de risco para doenças crônicas não transmissíveis, e de acordo com a Organização Mundial da Saúde, mata cerca de cinco milhões de pessoas anualmente. Um estilo de vida sedentário contribui para a má qualidade da saúde, é um fator de risco importante para o desenvolvimentos de várias doenças e muitas causas de morte evitáveis.

O nível de atividade física no Brasil ainda é insuficiente, embora tenha aumentado, apenas 42,3% dos brasileiros praticam o mínimo recomendado (150 minutos semanais de atividade moderada), segundo dados do Vigitel 2024.

O tempo sentado é uma medida comum de um estilo de vida sedentário. Uma revisão global representando 47% da população adulta global descobriu que a pessoa média fica sentada por 4,7 a 6,5 horas por dia, com a média aumentando a cada ano. O CDC descobriu que 25,3% de todos os adultos americanos são fisicamente inativos.

Tempo de tela é um termo para a quantidade de tempo que uma pessoa passa olhando para uma tela, como uma televisão, monitor de computador ou dispositivo móvel. O tempo excessivo de tela está associado a consequências negativas para a saúde.

Um estudo recente, publicado na revista Alzheimer's & Dementia, com mais de 1700 adultos, mostrou que muito tempo na frente da televisão está associado à uma redução do volume cerebral em adultos de meia idade. Essas regiōes estão associadas à memória e ao processamento visual.

Comportamento sedentário não é o mesmo que inatividade física: comportamento sedentário é definido como "qualquer comportamento de vigília caracterizado por um gasto de energia menor ou igual a 1,5 equivalentes metabólicos (EMTs), enquanto em uma postura sentada, reclinada ou deitada". Passar a maior parte do tempo acordado sentado não significa necessariamente que um indivíduo seja sedentário, embora sentar e deitar sejam os comportamentos mais frequentemente sedentários. Miranda Esmonde-White define um estilo de vida sedentário como um estilo de vida que envolve "mais de seis horas por dia" de comportamento sedentário.

O sedentarismo se consolidou como um dos principais desafios de saúde pública do século XXI. Segundo três artigos recentemente publicados nas revistas Nature Medicine e Nature Health, a falta de atividade física está associada a mais de 5 milhões de mortes por ano no mundo, um número comparável ao impacto de diversos fatores de risco já amplamente reconhecidos, como cigarro e álcool. Diante desse cenário, especialistas defendem que políticas de mobilidade ativa urbana podem desempenhar papel fundamental para enfrentar esse problema.

A mobilidade ativa urbana envolve estratégias que incentivam deslocamentos a pé, de bicicleta ou por outros meios não motorizados no cotidiano. Esse tipo de abordagem vai além da promoção da atividade física individual e se conecta diretamente com políticas de planejamento urbano, transporte e sustentabilidade.

Segundo os estudos, integrar políticas de atividade física com ações voltadas ao enfrentamento das mudanças climáticas pode gerar benefícios simultâneos para a saúde da população e para o meio ambiente. Iniciativas que incentivam caminhadas, atividades ao ar livre, ciclismo e transporte público podem reduzir emissões de carbono, melhorar a qualidade do ar e aumentar os níveis de atividade física da população.

Apesar das evidências científicas, pesquisadores destacam que a atividade física ainda recebe baixa prioridade política em muitos países. Uma análise de políticas públicas de cerca de 200 nações mostrou avanços na adoção de estratégias formais para promoção da atividade física, mas com pouca implementação efetiva. Falta, segundo os especialistas, liderança institucional clara e maior articulação entre setores como saúde, transporte, educação e planejamento urbano.

A desigualdade no acesso à atividade física é outro aspecto relevante. Dados internacionais mostram diferenças significativas entre grupos sociais: homens com maior renda em países ricos apresentam níveis muito mais altos de lazer ativo do que mulheres de baixa renda em países mais pobres. Essas desigualdades revelam que políticas de mobilidade ativa urbana e infraestrutura adequada são essenciais para garantir oportunidades mais equitativas de atividade física.

Além de contribuir para a prevenção de doenças cardiovasculares e metabólicas, a atividade física também está associada a benefícios para o sistema imunológico, para a saúde mental e até para a redução do risco de alguns tipos de câncer. Esses efeitos ampliam a importância de políticas públicas que incentivem estilos de vida mais ativos.

Para enfrentar esse cenário, o Ministério da Saúde estabeleceu, entre as ações estratégicas de promoção da saúde, prevenção, produção do cuidado e assistência relacionadas aos fatores de risco para doenças crônicas e agravos não transmissíveis, medidas voltadas à promoção da atividade física e à redução do comportamento sedentário. Entre as iniciativas previstas estão a elaboração de subsídios para a implementação de programas de incentivo à atividade física e à redução do comportamento sedentário nos ambientes de trabalho dos setores público e privado, além da realização de campanhas nacionais sobre a prática de atividade física, ambientes saudáveis, redução do comportamento sedentário e sua relação com as mudanças climáticas.

Essas estratégias integram o Plano de Ações Estratégicas para o Enfrentamento das Doenças Crônicas e Agravos Não Transmissíveis no Brasil 2021-2030.

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