Solimão I (6 de novembro de 1494 – 6 de setembro de 1566), comumente conhecido como Solimão, o Magnífico, foi o sultão otomano de 1520 a 1566. O reinado mais longo entre os sultões otomanos, seu governo trouxe um notável pico no poder econômico, militar e político do Império Otomano, e elevou o número de súditos do império para pelo menos 25 milhões de pessoas.
Após suceder seu pai Selim I em 30 de setembro de 1520, Solimão começou seu reinado lançando campanhas militares contra as potências cristãs da Europa Central e Oriental e do Mediterrâneo; Belgrado caiu para ele em 1521 e Rodes em 1522, e na Mohács em 1526, Solimão quebrou a força do Reino da Hungria. A Hungria foi subsequentemente dividida, com grande parte dela incorporada diretamente ao império. No entanto, sua derrota no cerco de Viena em 1529 o impediu de avançar ainda mais pela Europa. Solimão também lutou por anos contra o Império Safávida islâmico xiita do Irã e anexou o Iraque. No Norte da África, a Tripolitânia Otomana foi estabelecida e a frota otomana dominou os mares desde o Mediterrâneo até o Mar Vermelho e o Golfo Pérsico.
Solimão instituiu pessoalmente grandes mudanças judiciais relativas à sociedade, educação, tributação e direito penal. Suas reformas, realizadas em conjunto com o principal oficial judicial otomano Ebussuud Efendi, reuniram as duas formas de lei otomana: a do sultão (Kanun) e a islâmica (Charia). Ele também foi um distinto poeta e ourives; e um grande patrono da alta cultura, supervisionando a "Era de Ouro" do Império Otomano, que estava no auge de seu desenvolvimento artístico, literário e arquitetônico.
Em 1534, Solimão rompeu com a tradição otomana ao se casar com Hürrem, uma mulher influente de seu Harém Imperial que ajudou a introduzir o período do "Sultanato das Mulheres" na história otomana. Após a morte de Solimão em 1566, ele foi sucedido pelo filho dele e de Hürrem, Selim II. A morte de Solimão marca um momento decisivo na História otomana, embora os estudiosos geralmente considerem o período após sua morte como um de crise e adaptação, em vez de um simples declínio. Nas décadas seguintes, o Império Otomano começou a passar por mudanças políticas, institucionais e econômicas significativas, um período frequentemente chamado de Era da Transformação.
Ele era conhecido como Solimão, o Magnífico no Ocidente.
Não está claro quando exatamente o termo Kanûnî (o Legislador) passou a ser usado pela primeira vez como um epíteto para Solimão. Ele está totalmente ausente nas fontes otomanas dos séculos XVI e XVII e pode datar do início do século XVIII.
Existe uma tradição de origem ocidental, de acordo com a qual Solimão, o Magnífico, era "Solimão II", mas essa tradição foi baseada em uma suposição errônea de que Süleyman Çelebi deveria ser reconhecido como um sultão legítimo.
Solimão nasceu em Trabzon, na costa sul do Mar Negro, filho de Şehzade Selim (mais tarde Selim I), provavelmente em 6 de novembro de 1494, embora esta data não seja conhecida com absoluta certeza ou evidência. Sua mãe era Hafsa Sultan, uma concubina convertida ao Islã de origens desconhecidas, que morreu em 1534. Aos sete anos de idade, Solimão começou a estudar ciências, história, literatura, teologia e táticas militares nas escolas do Palácio Imperial de Topkapı em Constantinopla. Quando jovem, ele fez amizade com Pargalı Ibrahim, um escravo grego que mais tarde se tornou um de seus conselheiros mais confiáveis (mas que depois foi executado por ordens de Solimão). Aos dezessete anos, ele foi nomeado governador primeiro de Kaffa (Teodósia), depois de Manisa, com um breve mandato em Edirne.
Com a morte de seu pai, Selim I (r. 1512–1520), Solimão entrou em Constantinopla e ascendeu ao trono como o décimo sultão otomano. Uma descrição inicial de Solimão, poucas semanas após sua ascensão, foi fornecida pelo enviado veneziano Bartolomeo Contarini:
O sultão tem apenas vinte e cinco [na verdade 26] anos de idade, é alto e esguio, mas forte, com um rosto fino e ossudo. Os pelos faciais são evidentes, mas apenas ligeiramente. O sultão parece amigável e bem-humorado. Dizem os boatos que Solimão faz jus ao nome, gosta de ler, é conhecedor e demonstra bom senso."
Ao suceder seu pai, Solimão iniciou uma série de conquistas militares, eventualmente levando a uma revolta liderada pelo governador nomeado pelos otomanos em Damasco no ano de 1521. Logo Solimão fez preparativos para a conquista de Belgrado do Reino da Hungria — algo que seu bisavô Mehmed II havia falhado em conseguir por causa da forte defesa de João Hunyadi na região. Sua captura foi vital para remover os húngaros e croatas que, após as derrotas dos Albaneses, Bósnios, Búlgaros, bizantinos e dos Sérvios, continuaram sendo a única força formidável que poderia bloquear os ganhos otomanos na Europa. Solimão cercou Belgrado em 28 de agosto de 1521, com 250 000 soldados turcos e mais de 100 navios, e começou uma série de pesados bombardeios a partir de uma ilha no Danúbio. Belgrado se tornou a sede do Eialete de Belgrado (também conhecido como Sanjak de Smederevo), e rapidamente virou a segunda maior cidade otomana na Europa, com mais de 100 000 habitantes, superada apenas por Constantinopla.
O caminho para a Hungria e a Áustria estava aberto, mas Solimão voltou sua atenção para a ilha de Rodes, no Mediterrâneo Oriental, a base dos Cavaleiros Hospitalários. Solimão construiu uma grande fortificação, o Castelo de Marmaris, que serviu de base para a Marinha Otomana. Após um cerco de cinco meses, Rodes capitulou e Solimão permitiu que os Cavaleiros de Rodes partissem. A conquista da ilha custou aos otomanos de 50 000 a 60 000 mortos por batalhas e doenças (as alegações cristãs chegaram a 64 000 mortes otomanas em combate e 50 000 mortes por doenças).
À medida que as relações entre a Hungria e o Império Otomano se deterioraram, Solimão retomou sua campanha na Europa Central e, em 29 de agosto de 1526, ele derrotou Luís II da Hungria (1506–1526) na Batalha de Mohács. O exército húngaro, encorajado pela nobreza a se envolver prematuramente, lançou um ataque frontal que ruiu sob contra-ataques otomanos coordenados. O Rei Luís e grande parte da aristocracia húngara foram mortos, resultando na destruição do exército real e no fim da Dinastia Jagelão na Hungria e Boêmia. As consequências viram a partição da Hungria entre o Império Otomano, a Monarquia de Habsburgo e o Principado da Transilvânia. A batalha marcou o início de contínuas Guerras otomano-habsburgas e o declínio da Hungria como uma potência independente. Ao encontrar o corpo sem vida do rei Luís, diz-se que Solimão lamentou: "De fato, vim em armas contra ele; mas não era meu desejo que ele fosse cortado assim antes de mal ter provado os doces da vida e da realeza." Enquanto Solimão estava em campanha na Hungria, tribos turcomanas na Anatólia central (na Cilícia) se revoltaram sob a liderança de Kalender Çelebi.
Alguns nobres húngaros propuseram que Fernando, que era o governante da vizinha Áustria e ligado à família de Luís II por casamento, fosse Rei da Hungria, citando acordos anteriores de que os Habsburgos assumiriam o trono húngaro se Luís morresse sem herdeiros. No entanto, outros nobres recorreram ao nobre João Zápolya, a quem Solimão apoiava. Sob Carlos V e seu irmão Fernando I, os Habsburgos reocuparam Buda e tomaram posse da Hungria. Reagindo em 1529, Solimão marchou pelo vale do Danúbio e recuperou o controle de Buda; no outono seguinte, suas forças lançaram um cerco a Viena. Esta viria a ser a expedição mais ambiciosa do Império Otomano e o apogeu de seu avanço para o Ocidente. Com uma guarnição reforçada de 16.000 homens, os austríacos infligiram a primeira derrota a Solimão, plantando as sementes de uma amarga rivalidade otomano-habsburga que durou até o século XX. Sua segunda tentativa de conquistar Viena falhou em 1532, pois as forças otomanas foram atrasadas pelo cerco de Güns e não conseguiram chegar a Viena. Em ambos os casos, o exército otomano foi atormentado pelo mau tempo, forçando-os a deixar para trás equipamentos de cerco essenciais, e foi prejudicado por linhas de abastecimento sobrecarregadas. Em 1533, o Tratado de Constantinopla foi assinado por Fernando I, no qual ele reconheceu a suserania otomana e reconheceu Solimão como seu "pai e suserano", ele também concordou em pagar um tributo anual e aceitou o grão-vizir otomano como seu irmão e de patente igual.