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The Guardian

Periódico britânico

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The Guardian é um jornal diário britânico. Foi fundado em Manchester em 1821 como The Manchester Guardian e adotou o nome atual em 1959, antes de transferir sua operação para Londres. Com o periódico irmão The Guardian Weekly, integra o Guardian Media Group, pertencente à Scott Trust Limited. O truste foi criado em 1936 para "garantir para sempre a independência financeira e editorial do The Guardian e proteger a liberdade jornalística e os valores liberais do The Guardian contra interferência comercial ou política". Em 2008, o truste foi transformado em uma sociedade limitada cuja constituição procurou manter as mesmas salvaguardas concebidas pelos criadores do Scott Trust. Os lucros são reinvestidos no jornalismo do grupo, em vez de distribuídos a proprietários ou acionistas. O jornal é um dos periódicos de referência do Reino Unido.

A editora-chefe Katharine Viner sucedeu Alan Rusbridger em 2015. Desde 2018, as principais seções da edição impressa são publicadas em formato tabloide. Em julho de 2021, último mês para o qual os números foram divulgados, a tiragem diária da edição impressa era de 105.134 exemplares. O jornal também é publicado na internet, com edições para o Reino Unido, Estados Unidos, lançada em 2011, Austrália, lançada em 2013, Europa e uma edição internacional. O site possui seções dedicadas a Mundo, Europa, Estados Unidos, Américas, Ásia, Austrália, Oriente Médio, África, Nova Zelândia, Desigualdade e Desenvolvimento Global. A edição impressa sai de segunda-feira a sábado. Entre 1993 e 2025, The Observer foi seu periódico irmão aos domingos.

Seus leitores se concentram, em geral, na esquerda dominante do espectro político britânico. Em uma pesquisa da Ipsos MORI de setembro de 2018 sobre a confiança do público em veículos específicos na internet, The Guardian obteve a maior pontuação entre as marcas de notícias digitais, com 84% de seus leitores concordando que "confiam no que [veem] nele". Um relatório de dezembro de 2018 sobre uma pesquisa da Publishers Audience Measurement Company apontou a edição impressa do jornal como a de maior confiança no Reino Unido entre outubro de 2017 e setembro de 2018. O jornal também foi o mais lido entre as chamadas marcas britânicas de notícias de qualidade, contando as edições digitais. O grupo incluía ainda The Times, The Daily Telegraph, The Independent e i. Embora a circulação impressa do The Guardian estivesse em queda, o relatório calculou que suas notícias, incluindo as publicadas na internet, alcançavam mais de 23 milhões de adultos britânicos por mês.

Entre os furos jornalísticos do periódico esteve o escândalo de grampos telefônicos da News International, revelado em 2011, em especial a invasão do telefone de Milly Dowler, adolescente inglesa assassinada. A investigação levou ao fechamento do News of the World, então o jornal dominical de maior venda do Reino Unido e um dos periódicos de maior circulação da história. Em junho de 2013, The Guardian publicou a revelação sobre a coleta secreta, pelo governo de Barack Obama, de registros telefônicos da Verizon, e depois revelou a existência do programa de vigilância PRISM a partir de documentos fornecidos pelo denunciante e ex-prestador de serviços da Agência de Segurança Nacional Edward Snowden. Em 2016, o jornal liderou uma investigação sobre os Panama Papers, que expôs as relações do então primeiro-ministro David Cameron com contas bancárias offshore. Foi escolhido quatro vezes como "jornal do ano" nos British Press Awards, a mais recente em 2023.

The Manchester Guardian foi fundado em Manchester em 1821 pelo comerciante de algodão John Edward Taylor, com o apoio do Little Circle, um grupo de empresários protestantes não conformistas. O primeiro número saiu em 5 de maio de 1821, por coincidência no dia da morte de Napoleão, depois que a polícia fechou o mais radical Manchester Observer, jornal que apoiara os manifestantes do massacre de Peterloo. Taylor era hostil aos reformistas radicais. Escreveu: "Eles apelaram não à razão, mas às paixões e ao sofrimento de seus compatriotas enganados e crédulos, de cuja indústria mal recompensada extraem para si os meios de uma existência abundante e confortável. Eles não labutam nem fiam, mas vivem melhor do que aqueles que o fazem." Quando o governo fechou o Manchester Observer, os defensores dos proprietários das fábricas ficaram em posição dominante.

O jornalista Jeremiah Garnett juntou-se a Taylor na criação do jornal, e todos os integrantes do Little Circle escreveram artigos para a nova publicação. O prospecto anunciava que o jornal "defenderia zelosamente os princípios da liberdade civil e religiosa [...] apoiaria calorosamente a causa da reforma [...] procuraria auxiliar na difusão de princípios justos de economia política e [...] apoiaria, sem referência ao partido de que partissem, todas as medidas úteis". Em 1825, fundiu-se com o British Volunteer e passou a chamar-se The Manchester Guardian and British Volunteer, nome usado até 1828.

O jornal operário Manchester and Salford Advertiser chamou o Manchester Guardian de "a prostituta imunda e o parasita sujo da pior parcela dos proprietários de fábricas". O Manchester Guardian costumava rejeitar as reivindicações trabalhistas. A respeito do projeto de lei das dez horas de 1832, questionou, diante da concorrência estrangeira, se "a aprovação de uma lei que decretasse positivamente a destruição gradual da manufatura de algodão neste reino seria um procedimento muito menos racional". O jornal tratava as greves como obra de agitadores externos: "se for possível chegar a um acordo, a ocupação dos agentes do sindicato acaba. Eles vivem da discórdia [...]".

Em março de 2023, uma análise acadêmica encomendada pelo Scott Trust concluiu que John Edward Taylor e nove de seus onze financiadores tinham relações com o comércio atlântico de escravizados por meio de seus interesses na indústria têxtil de Manchester.

Escravidão e Guerra Civil Americana

O jornal se opunha à escravidão e defendia o livre-comércio. Um editorial de 1823 sobre a persistente "crueldade e injustiça" contra pessoas escravizadas nas Índias Ocidentais, anos depois da proibição britânica do tráfico em 1807, pedia equilíbrio entre os interesses e reivindicações dos proprietários e os de seus escravizados oprimidos. Recebeu favoravelmente a Lei de Abolição da Escravatura de 1833 e aceitou o aumento da indenização aos proprietários, porque "a culpa pela escravidão recai muito mais sobre a nação" do que sobre indivíduos. O êxito da lei, escreveu, estimularia a emancipação em outros países escravistas e evitaria "o risco iminente de um desfecho violento e sangrento". O jornal, porém, era contrário a restrições comerciais contra países que ainda não haviam abolido a escravidão.

Nos Estados Unidos, a questão produziu tensões na linha editorial. Quando o abolicionista George Thompson percorreu o país, o jornal escreveu que "[a] escravidão é um mal monstruoso, mas a guerra civil não é um mal menor. Não procuraríamos abolir nem mesmo a primeira sob o risco iminente da segunda". Defendeu que os Estados Unidos indenizassem os proprietários pela libertação das pessoas escravizadas e pediu ao presidente Franklin Pierce que solucionasse a "guerra civil" de 1856, o saque de Lawrence, provocado por leis pró-escravidão impostas pelo Congresso.

Em 1860, The Observer reproduziu uma notícia que dizia que o recém-eleito presidente Abraham Lincoln se opunha à abolição da escravidão. Em 13 de maio de 1861, pouco depois do início da Guerra Civil Americana, o Manchester Guardian retratou os estados do Norte principalmente como responsáveis por impor um pesado monopólio comercial à Confederação. O jornal argumentava que, se o Sul pudesse comerciar diretamente com a Europa, "não estaria distante o dia em que a própria escravidão cessaria". Perguntou, por isso: "Por que o Sul deveria ser impedido de libertar-se da escravidão?" William Ewart Gladstone, dirigente do Partido Liberal, também defendia essa perspectiva.

A Guerra Civil dividiu a opinião britânica, inclusive dentro dos partidos políticos, e o Manchester Guardian também oscilou. O jornal apoiara outros movimentos de independência e entendia que deveria defender também o direito de autodeterminação da Confederação. Criticou a Proclamação de Emancipação de Lincoln por não libertar todos os escravizados dos Estados Unidos. Em 10 de outubro de 1862, escreveu: "É impossível lançar qualquer censura sobre um homem tão evidentemente sincero e bem-intencionado como o sr. Lincoln, mas também é impossível não sentir que foi um dia ruim para os Estados Unidos e para o mundo quando ele foi escolhido presidente dos Estados Unidos." O bloqueio da União já provocava sofrimento em cidades britânicas dependentes do algodão. Liverpool, entre outros lugares, apoiava a Confederação, assim como "a opinião dominante em todas as classes" em Londres. Em 31 de dezembro de 1862, trabalhadores do algodão reuniram-se no Free Trade Hall, em Manchester, e aprovaram uma resolução declarando "repulsa à escravidão dos negros na América e à tentativa dos proprietários rebeldes de escravos do Sul de organizar, no grande continente americano, uma nação cuja base fosse a escravidão". Na reunião, afirmou-se ainda que "um editorial do Manchester Guardian tentara dissuadir os trabalhadores de se reunirem com tal propósito". O jornal publicou a notícia e a carta dos trabalhadores a Lincoln, enquanto reclamava que "a principal ocupação, se não o principal objetivo da reunião, parece ter sido atacar o Manchester Guardian". Lincoln respondeu agradecendo aos trabalhadores por seu "sublime heroísmo cristão", e navios americanos levaram suprimentos de auxílio à Grã-Bretanha.

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