Walderez Mathias Martins de Barros, mais conhecida apenas como Walderez de Barros (Ribeirão Preto, 31 de outubro de 1940), é uma atriz brasileira.
Walderez começou a estudar filosofia, na Universidade de São Paulo (USP) em 1957, onde conheceu um grupo de estudantes de teatro, que a estimularam a frequentar o coletivo artístico do Centro Popular de Cultura da UNE - CPC. Lá conheceu o diretor Fauzi Arap, que a dirigiu em sua estreia na adaptação do clássico Medeia, em 1959, além da peça O Balanço, uma criação coletiva do grupo. Nos anos seguintes estudou artes cênicas no Teatro de Arena e no Teatro Oficina, onde foi mentorada por Eugênio Kusnet. Em 1962 conheceu o dramaturgo Plínio Marcos, com quem se casou em 1963, e passou a fazer parte dos projetos do mesmo. Em 1963 Walderez ganhou projeção ao estelar o musical Onde Canta o Sabiá, de Gastão Tojeiro e direção de Hermilo Borba Filho.
No final da década de 1960 passou a sofrer perseguição militar devido às peças que fazia com Plínio criticando a ditadura no Brasil, tendo sido o espetáculo Reportagem de Um Tempo Mau censurado após uma única apresentação no Teatro de Arena em 1965, quando os militares invadiram o local. Avessa à trabalhar na televisão inicialmente, Walderez fez sua estreia apenas em 1968 na novela Beto Rockfeller na Rede Tupi. Na emissora, Walderez fez uma sequência de novelas de sucesso comoSimplesmente Maria, O Machão e Papai Coração.
Em 1969, tentou montar o espetáculo Abajur Lilás, sob direção de Paulo Goulart, porém, novamente, sofreu com a censura da época. Uma nova tentativa dá-se em 1975, com direção de Antônio Abujamra, e uma nova proibição, agora às vésperas da estreia. Foi apenas em 1980 que o texto pode ir aos palcos, com direção de Fauzi Arap. Seu desempenho foi muito aclamado pela crítica, apresentando um comovente trabalho. Sua atuação lhe rendeu os troféus Moliére e Troféu Mambembe de melhor atriz.
Deu vida, em 1970, o papel-título de Balbina de Iansã, numa encenação de Plínio realizada na quadra da Escola de Samba Camisa Verde e Branco. Volta aos palcos em 1977 para dividir o palco com Ewerton de Castro em O Poeta da Vila e Seus Amores, texto de Plínio Marcos dedicado a Noel Rosa que inaugura a sala do Teatro Popular do Sesi - TPS, na Av. Paulista, com direção de Osmar Rodrigues Cruz. Segue-se Mocinhos Bandidos, texto e direção de Fauzi Arap, em 1979. Sob a direção de Jorge Takla e ao lado de Cleyde Yáconis, interpreta O Jardim das Cerejeiras, de Anton Tchekhov, em grande estilo. Com o mesmo diretor participa de outras montagens bem-sucedidas nos anos seguintes: Agnes de Deus, de John Pielmeier, em 1982, e Electra, de Sófocles, em 1987, vivendo uma intensa Clitmnestra.
Em 1985, estreia um papel escrito sob medida para ela - Madame Blavatski - original que lhe vale premiações e marca uma guinada na vida de Plínio Marcos, orientando-o para o misticismo. No ano seguinte, vive um clown em Balada de Um Palhaço, outra criação de Plínio dirigida por Odavlas Petti.
Com o Grupo TAPA faz Solness, O Construtor, de Henrik Ibsen, em 1988, ao lado de Paulo Autran e direção de Eduardo Tolentino de Araújo. Além de participar de Nossa Cidade, montagem do grupo destinada a percorrer cidades do interior. Após dez anos afastada da teledramaturgia, regressou em 1988 para fazer parte do elenco da minissérie Sampa, marcando, assim, a estreia de Walderez na Rede Globo.
Em 1990, faz a novela Brasileiras e Brasileiros no SBT. Em 1992, volta, com o mesmo grupo, a co-escrever e interpretar o recital de poemas de canções de Jacques Prévert As Portas da Noite, em delicado e atrativo desempenho. Em Max, um monólogo alemão de Manfred Kage dirigido por Val Folly, representa uma figura masculina, em 1991. Mais uma vez com texto de Plínio Marcos surge em 1993, na direção de Eduardo Tolentino de Araújo, Querô, uma Reportagem Maldita, onde encarna uma prostituta favelada; papel diametralmente oposto ao de Arkádina, a rica e inconseqüente atriz de A Gaivota, de Anton Tchekhov, em montagem conduzida por Francisco Medeiros nos porões do Centro Cultural São Paulo - CCSP no mesmo ano.
Sua primeira novela na Rede Globo, foi Cara & Coroa em 1995, onde deu vida a uma guarda penitenciária, chamada Souza. No ano seguinte, encarna um de seus papéis mais marcantes na televisão, a geniosa Judite em O Rei do Gado. A novela fez um grande sucesso na crítica e na audiência, e sua personagem também, ao lado do consagrado ator Raul Cortez, sendo ganhadora do Troféu APCA de melhor atriz coadjuvante.
Após participações em minisséries e seriados na emissora, Rede Globo, voltou a chamar atenção em 2000, em outro grande sucesso da teledramaturgia brasileiro, Laços de Família. Na trama ela deu vida à costureira Ema, mãe da personagem interpretada por Giovanna Antonelli, Capitu, que escondia dos pais seu trabalho na prostituição. Em 2001, emenda outro grande sucesso, O Clone, dando vida à muçulmana Sálua Rachid, mãe da protagonista Jade, repetindo parceria com Giovanna Antonelli.
Em 2002, interpretou a vilã Judite em Desejos de Mulher, uma mulher machista, neurótica e controladora. Em 2003, interpretara a governanta Alzira em Mulheres Apaixonadas. Em 2005, deu vida a doce e bondosa Adelaide, em Alma Gêmea. Na trama, sua personagem era mãe das personagens interpretadas por Ana Lúcia Torre e Elizabeth Savalla, apesar da pouca diferença de idade entre as atrizes, 4 e 14 anos, respectivamente.
Em 2006 esteve na novela Páginas da Vida, interpretando Constância. Após alguns anos, participando de telenovelas e seriados, voltou a se destacar em 2010, em Escrito nas Estrelas, onde deu vida à mal-humorada Zenilda, realizando uma incrível parceria com a atriz Jandira Martini, a qual interpretava irmã de sua personagem. Em 2011, interpretou a mãe do protagonista de Morde e Assopra, Hortência. A convite de Glória Perez, integrou o elenco de Salve Jorge em 2012 para interpretar a turca Cyla.