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Zuenir Ventura

Jornalista e escritor brasileiro (1931–2026)

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Zuenir Carlos Ventura (Além Paraíba, 1 de junho de 1931 – Rio de Janeiro, 22 de setembro de 2026) foi um jornalista, repórter, cronista, professor e escritor brasileiro. Em uma carreira de cerca de sete décadas, trabalhou na imprensa escrita como repórter, editor e colunista, além de lecionar e publicar livros que nasceram muitas vezes de sua experiência direta com acontecimentos da vida brasileira.

Sua trajetória atravessou momentos de forte mudança política, social e cultural no país. Ventura acompanhou protestos, transformações na imprensa, o período da ditadura militar brasileira e a redemocratização, passando por jornais e revistas como Tribuna da Imprensa, O Cruzeiro, Veja, Jornal do Brasil e O Globo. A reportagem permaneceu no centro de seu trabalho mesmo quando passou a escrever crônicas e livros.

Entre suas obras mais conhecidas estão 1968: o Ano Que não Terminou, sobre a geração que viveu as tensões políticas e culturais daquele ano, Cidade Partida, escrito depois de meses de convivência e apuração em Vigário Geral, e Chico Mendes: Crime e Castigo, resultado de seu trabalho sobre o assassinato do seringueiro e ambientalista Chico Mendes. Seus livros combinaram investigação jornalística, memória e narrativa para contar acontecimentos por meio das pessoas que os viveram.

Preso após o Ato Institucional n.º 5 em 1968, Ventura retomou a carreira depois de deixar a prisão e recebeu ao longo das décadas prêmios por reportagens e livros. Foi eleito para a Academia Brasileira de Letras em 2014, tomou posse em 2015 e ocupou a cadeira n.º 32 até sua morte, aos 95 anos.

Filho de Antônio José Ventura e Herina de Araújo, Ventura nasceu em Além Paraíba, em Minas Gerais, e ainda bebê foi levado para Ponte Nova, onde passou os primeiros anos da infância e estudou como interno no Colégio Salesiano Dom Helvécio. Quando tinha 11 anos, a família mudou-se para Nova Friburgo, no estado do Rio de Janeiro.

Em Nova Friburgo, começou a trabalhar com o pai, que era pintor de paredes, aos 11 anos. Depois foi contínuo de banco, faxineiro de bar e balconista. Seus pais tiveram pouca educação formal, mas sua mãe insistia para que os filhos estudassem. Ventura já era bolsista no Colégio Modelo quando a direção lhe propôs dar aulas a crianças do curso primário em troca da gratuidade do curso científico noturno. A experiência o levou a considerar o magistério.

Depois de se mudar para o Rio de Janeiro, Ventura cursou Letras Neolatinas na Faculdade Nacional de Filosofia da então Universidade do Brasil, atual Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Em 1955, trabalhou ao lado do filólogo Celso Cunha na cátedra de Língua Portuguesa da Faculdade de Jornalismo.

O ensino continuou fazendo parte de sua vida mesmo depois que o jornalismo se tornou sua principal profissão. Ventura lecionou na UFRJ e na Escola Superior de Desenho Industrial (ESDI), onde participou desde o começo das aulas, em 1963, e ficou responsável pela disciplina de Comunicação Verbal. Sua ligação com a escola durou até o início da década de 1980.

Enquanto ainda cursava a universidade, Ventura trabalhou como arquivista noturno da Tribuna da Imprensa. Em 1956, surgiu no jornal a necessidade de um artigo sobre o escritor francês Albert Camus, de quem Ventura era leitor. Ele se ofereceu para escrever o texto e, depois da publicação, foi convidado a trabalhar na redação.

No início da década de 1960, passou uma temporada em Paris com uma bolsa de estudos no Centre de Formation des Journalistes. Ao voltar ao Brasil, ocupou diferentes funções de reportagem e chefia. Foi editor internacional do Correio da Manhã, diretor de redação de Fatos & Fotos, chefe de reportagem de O Cruzeiro e editor-chefe da sucursal carioca de Visão.

Em 1967, participou da criação de O Sol e acompanhou protestos e mobilizações estudantis. Depois do AI-5, decretado em dezembro de 1968, Ventura foi preso por cerca de três meses. Mary também foi presa e permaneceu detida aproximadamente um mês. Ventura contou mais tarde que não sofreu tortura física, embora temesse que isso acontecesse.

No fim de 1969, produziu para a Editora Abril a série de doze reportagens Os anos 60 – a década que mudou tudo, posteriormente publicada em livro. Em 1971, voltou à Visão, onde chefiou a sucursal do Rio até 1977. Nesse período, cobriu a Revolução dos Cravos, em Portugal, e colaborou como roteirista no documentário Que país é este?, dirigido por Leon Hirszman para a televisão italiana. Em 1977, transferiu-se para a Veja e, em 1981, para a IstoÉ, sempre em funções de chefia.

Em 1985, Ventura foi para o Jornal do Brasil. Foi convidado a reformular a revista Domingo e depois ocupou outras funções de chefia no jornal. Também participou da reformulação do Caderno B e da criação de outros espaços voltados à cultura.

Após o assassinato do sindicalista e ambientalista Chico Mendes, morto em Xapuri, no Acre, em dezembro de 1988, Ventura viajou para a região e passou cerca de um mês investigando o crime. A série O Acre de Chico Mendes, publicada pelo Jornal do Brasil em 1989, recebeu o Prêmio Esso de Jornalismo e o Prêmio Vladimir Herzog.

Genésio Ferreira da Silva, testemunha do assassinato que tinha 13 anos e estava sob ameaça, foi acolhido na casa de Ventura, no Rio de Janeiro, onde viveu dos 13 aos 21 anos. Em 2003, Ventura voltou ao Acre para concluir a reportagem que reuniu em Chico Mendes: Crime e Castigo.

Depois de deixar o Jornal do Brasil, Ventura estreou como cronista de O Globo em 30 de janeiro de 1999. Suas colunas tratavam de assuntos como política, cultura, sociedade e o cotidiano do Rio de Janeiro. Ao falar sobre a observação necessária para a crônica, resumiu: "O cronista trabalha muito com os olhos".

Em entrevistas, Ventura defendia cuidado na apuração e alertava contra a pressa de transformar uma impressão em certeza, especialmente diante de denúncias. Também via o jornalismo como um registro de acontecimentos ainda em movimento, que mais tarde poderiam ser examinados com maior distância por historiadores.

Em 1968: o Ano Que não Terminou, publicado em 1988, Ventura narrou os protestos, as mudanças culturais e a repressão política daquele ano usando recursos da reportagem e da narrativa de não ficção. O livro chegou a 48 edições e vendeu mais de 400 mil exemplares. Serviu de inspiração para a minissérie Anos Rebeldes, exibida pela TV Globo em 1992, e o capítulo "Um herói solitário" inspirou o documentário francês O Homem que Disse Não, dirigido por Olivier Horn.

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